Senhora Minha
Parto, parto-me enfim, senhora minha,
o fado o quis assim que nos reparte;
mas quem cuidareis vós que é o que parte?
Parte aquele que, só, partir convinha.
É verdade que parte e que caminha;
mas parte-se e caminha por tal arte
que cá vos deixa aquela triste parte
que não terá melhor nem melhor tinha.
Ao céu, ao mar, ao vento, ao lenho, ao linho
a vida entregarei, que os satisfaça:
temo quem dos perigos não tem medo.
A vida temo mais do que o caminho;
porque, para me dar maior desgraça,
sei que me há de trazer a sorte cedo.
Francisco Manuel de Melo
[um dos mais importantes poetas do barroco peninsular]
Título: De mãos vazias
Autor: Ana Tortosa
Editora: OQO
Sinopse:
E se lhe levasse água do mar? Não, isso ele já tem, porque o mar está nos seus olhos. Hoje é o aniversário do Mário e a Joana está convidada para ir lanchar a sua casa. Ainda não sabe o que lhe vai oferecer e pelo caminho vai pensando num presente para o amigo. Ocorrem-lhe muitas ideias, mas não é fácil decidir-se quando se quer algo especial.
O pianista e compositor morreu aos 41 anos. Segundo a família, que confirmou a morte, Bernardo Sassetti estava a fotografar numa falésia, no Guincho, e caiu.
[…]
Bernardo Sassetti nasceu a 24 de Junho de 1970, filho mais novo de Sidónio de Freitas Branco Pais e de Maria de Lourdes da Costa de Sousa de Macedo Sassetti. Era bisneto de Sidónio Pais. Iniciou os estudos de piano clássico aos nove anos, tendo frequentando também a Academia dos Amadores de Música. Em 1987 iniciou-se profissionalmente no jazz, estudando com músicos como Zé Eduardo, Horace Parlan e Sir Roland Hanna, e tocando com o quarteto de Carlos Martins e o Moreiras Jazztet.
Nos primeiros quinze anos de carreira apresentou-se por todo o mundo, ao lado de músicos como Al Grey. Frank Lacy ou Andy Sheppard, Paquito D’ Rivera ou Benny Golson. Em 1997, por exemplo, ao lado de Guy Barker, gravou “What love is”, acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Londres, que tinha como convidado o cantor Sting.
Como compositor destacam-se no seu percurso obras como as suites “Ecos de África”, “Sons do Brasil” ou “Entropé”. O seu primeiro trabalho, como líder, foi “Salsetti”, de 1994, que contava com a participação de Paquito D’ Rivera. O segundo álbum, “Mundos”, saiu em 1996. O álbum “Nocturno” de 2002, ou os mais recentes “Indigo” e “Livre”, são outras das suas mais recentes gravações de piano solo para a editora Clean Feed.
O cinema, tal como a fotografia, era outra das suas grandes paixões, não surpreendendo que tenha composto muito para cinema. “Alice” de Marco Martins, “A Costa dos Murmúrios” de Margarida Cardoso, “Facas e Anjos” de Eduardo Guedes ou “Maria do Mar” de Leitão Barros foram alguns dos filmes para os quais compôs música.
Nos últimos anos apresentou-se em piano solo, ou em trio com Carlos Barreto e Alexandre Frazão. Ao falar sobre o seu trabalho solo, costumava salientar a importância do silêncio, era um músico em busca do silêncio. Em duo tocou com o pianista Mário Laginha, com quem gravou “Mário Laginha / Bernardo Sassetti” e “Grândolas”, naquela que foi uma homenagem a Zeca Afonso e aos 30 anos do 25 de Abril. [publico.pt]
Anos de 2010 e 2011 foram dos mais intensos da sua carreira
O lado mais mediático da sua atividade em 2010/11 foi a edição do disco com Carlos do Carmo (ed. Universal) e de "Motion" com o seu trio, na Clean Feed (a apresentação ao vivo incluiu a projeção de fotografias de sua autoria).
Mais discretas foram as colaborações nos álbuns "Palace Ghosts and Drunken Hymns", do Will Holshouser Trio, e "Madrugada", dos Peixe: Avião.
Compôs para teatro ("Azul Longe nas Colinas", de Dennis Potter, numa encenação da sua mulher, Beatriz Batarda), para dança ("Uma Coisa em Forma de Assim", da Companhia Nacional de Bailado), para bebés ("Os Embalos do Bernardo") e até para o Castelo de São Jorge ("Histórias do Castelo").
Acompanhou Beatriz Batarda ao piano em recitais onde esta narra contos de Sophia de Mello Breyner; participou em "Final de Rascunho", de Sérgio Godinho, que integra uma canção com música sua.
Sassetti tocou ainda com Camané 'My Funny Valentine' na Festa do Jazz 2010 e apresentou os 3 Pianos com Mário Laginha e Pedro Burmester no Festival Med.
Recebeu o Prémio Amália Rodrigues (categoria Música Popular) e o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores (categoria Melhor Canção, para 'Retrato', com letra de Mário Cláudio, do álbum com Carlos do Carmo).
Fez ainda parte do júri da 8 1/2, a Festa do Cinema Italiano, em Lisboa.
A sua atividade mais recente incluiu a participação no disco "Motor" de André Fernandes (ed. Tone of a Pitch), a escrita de um tema para o disco "Different Time" (ed. Sony) de Marta Hugon e a presença no CD "DocTetos" (ed. edição JORSOM), de António José de Barros Veloso. O pianista compôs ainda uma parte da música original para o espectáculo multimédia "Lisboa, quem és tu?", estreado a 30 de março último no Castelo de São Jorge, em Lisboa. [expresso.pt]
No âmbito da programação do Cineclube da Feira será exibido, na biblioteca municipal, a 13 de Maio, pelas 21h45, o filme "Road to nowhere - Sem destino" de Monte Hellman.
Jornalista português, Miguel Sousa Tavares nasceu no Porto, sendo filho da poetisa Sophia de Mello Breyner e do advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares. Depois de se ter licenciado em Direito, exerceu advocacia durante doze anos, mas abdicou definitivamente desta profissão para se dedicar em exclusivo ao jornalismo. [ler mais]
Novo livro de Miguel Sousa Tavares
A História Não Acaba Assim
Escritos políticos 2005-2012
Sinopse:
Depois de passar 25 anos a denunciar os atentados ao património e à economia deste país, a lutar por causas que se tornaram a sua bandeira, Miguel Sousa Tavares sintetiza os principais temas de reflexão que o acompanham há muito tempo. São 25 causas, quase todas perdidas, como admite no epílogo. E o que é incrível é que os sinais de fogo, apesar do céu limpo, ainda não foram atacados a tempo por todos aqueles que não os viram ou não quiseram ver.
Estes escritos contam a história dos principais passos, decisões e interesses com que "alegremente" chegámos à nossa situação atual. Um legado obrigatório para o futuro. O país é retratado, os responsáveis nomeados e os traços da nossa personalidade vistos a olho nu. Sem dó nem piedade.
Para além de alguns textos inéditos, A História não acaba assim reúne textos publicados nos jornais Público e Expresso nos últimos sete anos - desde o início da governação de José Sócrates e dos socialistas ao primeiro ano de governo de Passos Coelho e do centro-direita.
Títulos disponíveis na biblioteca municipal.
NOTA: Brevemente, estará disponível, na biblioteca municipal, o novo livro de Miguel Sousa Tavares "A História não acaba assim".
Estreiam, hoje, os filmes: “Sombras da Escuridão” de Tim Burton com Johnny Depp, Michelle Pfeiffer e Helena Bonham Carter; “Nana” de Valérie Massadian com Kelyna Lecomte, Marie Delmas e Alain Sabras; “Rafa” de João Salaviza com Rodrigo Perdigão, Joana de Verona e Nuno Bernardo; “A fonte das mulheres” de Radu Mihaileanu com Leïla Bekhti, Hafsia Herzi e Biyouna; “O Monte dos Vendavais” de Andrea Arnold com James Howson, Solomon Glave e Paul Hilton; “Uma Traição Fatal” de Steven Soderbergh com Gina Carano, Michael Angarano, Michael Douglas, Antonio Banderas e Channing Tatum; “Espera aí Que já Casamos” de Nicholas Stoller com Jason Segel, Emily Blunt e Chris Pratt; “O Polícia” de Nadav Lapid com Ben Adam, Michael Aloni e Meital Barda.
“Sombras da escuridão”
Sinopse:
Nos finais do séc. XVIII, Barnabas Collings era um jovem aristocrata rico e atraente que julgava ter o mundo aos seus pés. Sem respeito nem compaixão pelos sentimentos alheios, habituou-se a ter todas as mulheres que desejava. Até conhecer Angelique e desprezar o seu amor. É então que os poderes ocultos da rapariga se revelarão fatais. Ela, que não é mais do que uma poderosa feiticeira negra, transforma-o num vampiro e enterra-o vivo. Duzentos anos volvidos, ele é inesperadamente libertado do seu túmulo, acordando na decrépita mansão familiar, no espantoso mundo do séc. XX. Agora, vai conhecer a sua excêntrica linhagem e reaprender a lidar com o génio de Angelique que, ao regressar com ele, fez ressuscitar o seu amor obsessivo.
Realizado por Tim Burton e abrilhantado por Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Christopher Lee e Chloë Grace Moretz, o filme é uma adaptação da série homónima que, entre1966 a 1971, foi transmitida pelo canal americano ABC e que contava as aventuras da família Collins. [cinecartaz.publico.pt]
“Nana” + “Rafa”
Sinopse:
Nana (Kelyna Lecomte), de apenas quatro anos, vive com a mãe e o avô numa casa perto da floresta. Certo dia, ao chegar da escola, encontra a casa totalmente silenciosa e vazia. Depois da sensação física do vazio e do abandono, Nana retoma a sua vida normal: veste-se, alimenta-se, brinca e cuida da casa. É assim que aquela menina assume-se num mundo à altura dos seus 90 centímetros, liberta dos adultos e da sua orientação.
Primeira longa-metragem da fotógrafa Valérie Massadian, foi o filme-revelação em Locarno, onde recebeu o prémio Opera Prima para primeiras obras.
Em complemento a curta "Rafa", de João Salaviza, sobre um rapaz de 13 anos que deixa a sua casa nos subúrbios e ruma a Lisboa, em busca da mãe que não regressou na noite anterior. "Rafa" foi o vencedor do Urso de Ouro para melhor curta-metragem na edição de 2012 do Festival de Berlim. [cinecartaz.publico.pt]
“A fonte das mulheres”
Sinopse:
Numa aldeia do Norte de África, existe uma pequena comunidade fechada, onde as tradições têm ainda um enorme peso no modo de vida e onde as mulheres pouco poder têm para alterar a sua condição. Entre outras tarefas, são elas quem têm de ir buscar água ao cimo de uma montanha, por um caminho longo e difícil. É então que Leila (Leïla Bekhti), uma jovem recém-casada, percebendo a injustiça e o sacrifício inútil, convence as outras mulheres a obrigar os homens a canalizar a água até à aldeia. Para isso elas apenas têm uma arma ao seu alcance: greve de sexo.
Um filme de Radu Mihaileanu ("O Concerto") que, em jeito de comédia, retrata as desigualdades entre os sexos e a longa e dura batalha das mulheres que, quebrando regras e tradições, tentam criar espaço à mudança.[cinecartaz.publico.pt]
“O Monte dos Vendavais”
Sinopse:
Numa visita a Liverpool, um agricultor abastado conhece Heathcliff, um rapaz pobre e abandonado, e resolve trazê-lo consigo para fazer parte da sua família. Nos isolados campos do Yorkshire, o rapaz acaba por se aproximar de Cathy, a filha mais nova do agricultor. Porém, com o passar dos anos, uma relação inocente entre duas crianças transforma-se num amor obsessivo que levará toda a família à perdição.
Uma nova adaptação do único romance de Emily Brontë publicado, em 1847, sob o pseudónimo masculino Ellis Bell, desta feita com argumento e realização da britânica Andrea Arnold ("Aquário" e "Sinal de Alerta"). [cinecartaz.publico.pt]
“Uma Traição Fatal”
Sinopse:
Mallory Kane é uma das mais bem treinadas agentes da CIA. Mas, depois de uma missão bem-sucedida, que consistia em libertar um jornalista chinês, Mallory é atraiçoada e abandonada à morte pelas pessoas em quem confiava. Ao sobreviver, torna-se uma ameaça à segurança e credibilidade da agência assim como do próprio Governo norte-americano e, por isso mesmo, um alvo a abater. Porém, preparada ao mais alto nível para enfrentar todo o género de ameaças, a ex-agente vai usar todas as suas armas contra os seus perseguidores num jogo onde a vingança, e não a sobrevivência, se torna o grande objectivo.
Um thriller de acção, com argumento de Lem Dobbs e realização de Steven Soderbergh ("Erin Brockovich", "Ocean's Eleven", "Confissões de Uma Namorada de Serviço"), que conta com a estreia em cinema de Gina Carano (reconhecida lutadora americana de MMA), além de incluir no elenco os conhecidos Michael Fassbender, Ewan McGregor, Bill Paxton, Channing Tatum, Antonio Banderas e Michael Douglas. [cinecartaz.publico.pt]
“Espera aí Que já Casamos”
Sinopse:
Tom e Violet (Jason Segel e Emily Blunt) são um casal apaixonado a viverem São Francisco. Depoisde vários anos de uma relação quase perfeita, sonham em oficializar a união numa enorme e divertida festa de casamento. Tudo parecia correr bem até Violet ser convidada a trabalhar como assistente na faculdade de psicologia da Universidade de Michigan, a mais de duas mil milhas de distância. Ambos concordam que, com esta proposta irrecusável em mãos, os planos para o grande dia terão de ser adiados. Porém, já em Michigan, nada parece querer colaborar com a relação e os dois vêem a data de casamento adiada, uma e outra vez. E é assim que, depois de cinco anos a lidar com a incómoda sensação de viverem uma relação estagnada, Tom e Violet começam a duvidar se foram de facto feitos um para o outro. [cinecartaz.publico.pt]
“O Polícia”
Sinopse:
Yaron pertence a uma unidade policial de elite de Israel. Ele e os seus companheiros são quem, em última instância, protegem os cidadãos de ameaças terroristas, num país ainda instável a nível político e social. Tudo nele respira orgulho: em si próprio, na sua vida pessoal e em cada um dos seus colegas, por quem nutre um enorme respeito e admiração. Até que um dia se depara com um grupo de jovens radicais que raptam três milionários israelitas durante um casamento. O grupo está decidido a tudo para libertar a sociedade daquilo que considera ser opressão. E será através deles que Yaron vai conhecer as razões do confronto de classes no seu país e compreender o porquê da necessidade de mudança.
Escrito e realizado pelo israelita Nadav Lapid, o filme recebeu o prémio especial do júri em Locarno e esteve em competição na edição de 2011 do Lisbon & Estoril Film Festival. [cinecartaz.publico.pt]
Alegria custosa
Enfim que aquela hora é já chegada
Que até nos passos traz preço e ventura,
Tão merecida de uma fé tão pura,
E de um tão limpo amor tão esperada.
Ela tardou em vir, como rogada
Da viva saudade, que ainda dura.
Que bem pode vir, e estar segura,
Que há-de ser possuída a desejada.
Senhora, se com lágrimas convinha
Sentir sòmente o mal, e agora o canto,
É digno de outra gllória verdadeira;
Não cuideis que é fraqueza da alma minha,
Mas que de costumada sempre ao pranto,
Não sabe festejar de outra maneira.
Donde pára a beleza, e no que pára.
Francisco Manuel de Melo
[um dos mais importantes poetas do barroco peninsular]
O espanhol Rafael Moneo recebeu nesta quarta-feira o prémio Príncipe das Astúrias para as Artes. Mesmo a calhar para o autor da catedral de Los Angeles e da ampliação do Museu do Prado, em Madrid, que faz 75 anos no mesmo dia.
Moneo foi escolhido entre 39 candidaturas nas mais diversas áreas da arte, apresentadas por 25 países. Portugal concorreu com a pintora Paula Rego. Outro pintor, Jasper Jones, o designer Philippe Starck, a cantora mexicana Chavela Vargas, o Teatro Bolshoi e Frank Gehry, o arquitecto norte-americano que desenhou o Museu Guggenheim de Bilbau, também eram candidatos.
De acordo com a acta do júri, presidido pelo espanhol José Lladó y Fernández-Urrutia, Moneo foi escolhido por ser um arquitecto "dimensão universal, cuja obra enriquece os espaços urbanos com uma arquitectura serena e esmerada". "Mestre reconhecido no âmbito académico e profissional, Moneo deixa uma marca própria em cada uma das suas criações e, ao mesmo tempo, combina estética com funcionalidade, especialmente nos espaços interiores diáfanos que servem de enquadramento impecável para as grandes obras da cultura e do espírito", lê-se na acta.
Moneo, que também projectou o Museu Romano de Mérida e o famoso Kursaal – o auditório e centro de congressos em forma de cubo à beira-mar, em San Sebastián –, recebeu já alguns dos mais importantes prémios de arquitectura do mundo, incluindo o Pritzker, em 1996 (é o único espanhol a tê-lo), o Mies van der Rohe, de 2001, e o RIBA (Royal Institute of British Architects), em 2003.
Criado em 1981, o prémio que distingue os que contribuíram “de forma relevante para o património cultural da humanidade” volta assim a escolher um arquitecto, depois de Francisco Javier Sáenz de Oiza, Óscar Niemeyer, Santiago Calatrava e Norman Foster. Na edição do ano passado o prémio foi para o maestro Riccardo Muti.
Este é o primeiro dos oito Prémios Príncipe de Astúrias a serem concedidos este ano. Nas próximas semanas serão atribuídos os prémios de Ciências Sociais, Comunicação e Humanidades, Investigação Científica e Técnica, Letras e Cooperação Internacional. Os galardões do Desporto e da Concórdia só são conhecidos em Setembro.
Os prémios, no valor de 50 mil euros, serão entregues no Outono numa cerimónia presidida pelo Príncipe das Astúrias. Os laureados têm ainda direito a uma escultura, criada e doada expressamente por Joan Miró para estes galardões, um diploma e uma insígnia. [publico.pt]
A distinção, a mais alta deste género, é entregue pela Academia Real Sueca de Música e premeia todos os anos um artista pop e um clássico. A cantora rock Patti Smith e o grupo de música clássica Kronos Quartet foram os premiados no ano passado.
Sobre Paul Simon, o júri do prémio destacou “a capacidade adquirida, os arranjos inovadores e as letras provocadoras” do músico que se deu a conhecer ao lado de Art Garfunkel, na dupla Simon & Garfunkel, que criou “The Sounds of Silence” e “Bridge Over Troubled Water”.
“Ninguém merece tanto o epíteto de ‘compositor de classe mundial’. Durante cinco décadas, Paul Simon construiu pontes não só sobre águas turbulentas como também sobre oceanos inteiros, reunindo os continentes do mundo com sua música”, lê-se no comunicado do prémio.
Paul Simon conquistou 12 Grammys, incluindo um de homenagem pela sua carreira, e faz parte do Rock and Roll Hall of Fame.
Em relação a Yo-Yo Ma, apelidado como “o violoncelista mais importante de nosso tempo”, o júri destacou a capacidade do músico em “unir as pessoas de todos os continentes”.
“Yo-Yo Ma tem dedicado o seu virtuosismo e o seu coração às viagens de exploração musical e descoberta em todo o mundo”, disse o júri, acrescentando que o violoncelista “é a prova viva de que a música é comunicação, paixão e habilidade para partilhar experiências”.
Yo-Yo Ma, que quando tinha apenas sete anos actuou numa cerimónia de angariação de fundos para um centro cultural - que mais tarde se tornaria The Kennedy Center – na presença de John F. Kennedy e Dwight Eisenhower, é hoje um dos nomes mais populares da música clássica no mundo. Com 75 álbuns gravados, o norte-americano venceu 15 Grammys.
O Polar Music Prize foi criado em 1989 por Stig Anderson, agente da famosa banda sueca ABBA. O prémio distingue individualidades, grupos ou mesmo instituições, reconhecendo o trabalho excepcional feito em prol da criação e do progresso da música.
Ennio Morricone, Björk, B.B. King, Cyorgy Ligeti, Keith Jarrett, Bob Dylan, Ray Charles, Pierre Boulez, Elton John, Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Pink Floyd, Dizzy Gillespie, Sony Rollins e Gilberto Gil são alguns dos já laureados com esta distinção.
Os prémios, no valor de 113 mil euros, vão ser entregues pelo rei Carlos XVI Gustavo numa cerimónia em Estocolmo, a 28 de Agosto.O cantor de folk rock Paul Simon e o violoncelista Yo-Yo Ma, ambos norte-americanos, foram distinguidos em Estocolmo, na Suécia, com o prémio Polar Music, conhecido como o "Nobel da Música".
Títulos disponíveis de Paul Simon, na biblioteca municipal.
Título: O livro do livro
Autora e ilustradora: Sophie Benini Pietromarchi
Editora: Edicare
Sinopse:
Um elogio ao livro e à criatividade.
Técnicas fáceis, mas impensáveis… investigar a casa em busca de materiais, massajar a imaginação para escrever uma história, criar as mais originais ilustrações - um livro obrigatório para potenciais artistas.
Neste poético livro de actividades, a artista Sophie Benini Pietromarchi convida as crianças a participarem numa viagem fantástica ao mundo da criação de livros. Explorando as cores, texturas, formas e sensações, Sophie Pietromarchi mostra como estes elementos difusos podem transformar-se em narrativas visuais, usando materiais tão incrivelmente prosaicos como aparas de lápis, cebolas, grafite e folhas. Este maravilhoso livro - que nasceu de oficinas realizadas com crianças - é um tributo à riqueza da imaginação que habita no interior de cada um de nós.
Suficientemente simples para ser usado pelas crianças sem a ajuda dos adultos, este é um livro de actividades perfeito para as férias e para a sala de aulas, com exercícios de desenho, de escrita criativa e de construção de livros.
A história dos Sétima Legião remonta ao ano de 1982 quando Pedro Oliveira, Rodrigo Leão e Nuno Cruz, concorreram a um concurso intitulado "Grande Noite do Rock", no qual acabaram por conquistar o segundo lugar. Algum tempo depois, deu-se a entrada de Paulo Marinho e de Susana Lopes. A formação dos Sétima ia assim ficando completa, marcando desde logo posição, com a invulgar participação de um violoncelo e de uma gaita de foles na construção musical. As letras que inicialmente eram em inglês, tomaram a sua forma definitiva com as criações feitas por Francisco Menezes.
Um ano depois, em 1983, a banda editou o seu primeiro single através da Fundação Atlântica, que tinha à sua frente nomes como os de Pedro Ayres Magalhães, Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Camacho. "Glória / Partida" assinalou o carácter singular da música dos Sétima Legião. A formação tornou-se atracção no ainda pouco energético panorama musical português. Mais um ano foi o tempo necessário para a edição de " A Um Deus Desconhecido", o primeiro álbum. O registo cedo se tornou referência da música portuguesa, dadas as composições únicas da banda.
A formação sofreu entretanto algumas alterações, dando-se as entradas de Ricardo Camacho para as teclas, Paulo Abelho para as percussões e Gabriel Gomes para o acordeão. O álbum "Mar d'Outubro" gravado para a Emi-Valentim de Carvalho reflectiu uma maior densidade a nível da composição, em parte devido à participação dos novos instrumentos. O tema "Sete Mares" cedo se transformou em hino da banda. [ler mais]
Em plena onda de revivalismo anos 80, regressa aos palcos um dos nomes que mais marcou a década em Portugal: Sétima Legião.
A digressão, que celebra uns redondos 30 anos de carreira, promete dar especial atenção aos primeiros discos e revisitar todos os clássicos, com passagem obrigatória por temas como "Sete mares" ou "Por quem não esqueci".
O embalo é dado pela reedição da discografia completa da banda, com adição de um CD/DVD apropriadamente intitulado "Memória", já que inclui os momentos mais emblemáticos, o registo de um concerto no Pavilhão Carlos Lopes (Lisboa, 29 de Dezembro de 1990) e alguns extras. [lazer.publico.pt]
Sétima Legião: Melancólica revolução da amizade
O regresso da Sétima Legião aos grandes palcos, 30 anos passados sobre os primeiros acordes, é pretexto para uma revisitação apaixonada. O autor destas linhas assume a sua dificuldade em distanciar-se...
A todo o aspirante a jornalista, quando abraça o ofício (que tantas vezes se confunde com sacerdócio) é-lhe recomendado que, no exercício da sua profissão, não se afaste de duas regras douradas: rigor e isenção. Este que vos escreve não foi exceção, e sempre que lhe pediram, respondeu à chamada.
Só que existe aquela coisa chamada vida, que, para citar o mais famoso hippie milionário, é aquilo que acontece enquanto estamos ocupados a fazer outros planos. Ou, como neste caso, quando somos chamados a fazer certos trabalhos.
A Sétima Legião - que, em 2012, celebra 30 anos de existência - fez e faz parte da vida deste jornalista. Os que a formam formaram-me enquanto amigos. As memórias que retenho ultrapassam, naturalmente, o mero entusiasmo musical. Estes são amigos que me cresceram, e eles comigo. O facto de fazerem parte de uma banda era apenas mais um lado do que ainda são. E quantas vezes objeto de troça.
Por isso, terá o leitor de compreender que a isenção que exista no que vai ler está viciada pelo coração. E que o rigor que aplico é o rigor dos apaixonados, pelo que a escrita na primeira pessoa é inevitável. Por outro lado, o leitor depressa perceberá que esta é uma banda suportada por afetos. E para os afetos não existe livro de estilo. Dito isto, posso começar a contar a história.
A Sétima nunca acabou
Pouco passa das dez horas da noite de uma quinta-feira, altura em que o complexo de armazéns existente mesmo ao lado da RTP, na Avenida Marechal Gomes da Costa, deveria estar mergulhado num silêncio quase assustador. Mas mal ultrapassamos as ruas labirínticas que levam ao edifício do Armazém 42 tudo parece mudar: há luzes acesas, das janelas vê-se gente a passar, a conversar, a falar ao telemóvel. E ouve-se uma vozearia confusa, entre risos, gritos, acusações e sons caóticos de instrumentos musicais. Não havia dúvida: a Sétima Legião estava ali a ensaiar.
Para alguém que não é muito dado a nostalgias, como é o meu caso, a audição daqueles sons tão familiares arrepiou-me. Uma vez dentro do estúdio, o sentimento aumentou. Aquele misto de festa e reencontro que, com milagre e talento, é traduzido em música, devolveu-me de imediato o segredo da Sétima Legião: a amizade que une os membros da banda, e que faz com que este tenha sido sempre um grupo que nunca acabou. Francisco Menezes, o letrista da banda, confirma-o, durante uma das pausas do ensaio: "É um privilégio, tantos anos depois, participar nesta encantadora desorganização da Sétima Legião. É mais uma prova de que o grupo nunca acabou: primeiro, porque nunca foi anunciado formalmente o seu fim; e, além disso, porque as nossas coisas continuaram, com o tempo, sob diversas formas: na música de cada um, na do Rodrigo, na do Pedro, nos Cindy Kat..." Mas não haveria o perigo de esta reunião ser confundida com pura nostalgia? "Nem pensar", discorda o Francisco. "Todos tivemos sempre vontade de tocar juntos e isso foi acontecendo, mesmo depois de editado o Sexto Sentido [último álbum de originais do grupo, de 1999]. Agora, surgiu esta coisa dos 30 anos e, depois, o Rodrigo foi o catalisador do costume e juntou toda a gente." Esta será uma "acusação" comum a todos os membros, a que o visado irá responder com surpresa, como veremos.
Mas, agora, assista-se um pouco ao ensaio. Numa sala pequena, músicos e amigos acomodam-se como podem. Ricardo Camacho nas teclas, Nuno Cruz na bateria, Rodrigo Leão no baixo, Pedro Oliveira na voz e guitarra, Gabriel Gomes no acordeão, Paulo Marinho à porta, Paulo Abelho por todo o lado. Junte-se a isto os amigos que se acotovelam para ver os músicos e ficarão com uma pequena ideia do que ali se passa. O tema que se preparam para tocar é Partida, um instrumental que surgiu no lado B do single de estreia (Glória/Partida, 1983). A versão original é despojada, com a gaita de foles de Marinho a fazer a melodia (que partiu de uma linha de baixo de Rodrigo Leão) e a marcar o som melancólico e, ao mesmo tempo, ligado a um Portugal espiritual e quimérico, que a Sétima inaugurou. Este arranjo é diferente, com todos os músicos a colaborarem. No entanto, aos primeiros acordes, esta Partida é real para quem se lembra de tudo. E é uma boa altura para sobrevoar o passado.
Todos de gabardinas
Quem queira encontrar uma biografia oficial da Sétima Legião não terá problemas de maior. Uma pesquisa simples e os números e datas aparecem. Mas, para o que aqui nos interessa, não é isso que conta. O que vem à memoria é uma Lisboa de inícios dos anos 80, um período em que tudo parecia estar por fazer e as possibilidades eram normalmente concretizadas. A geografia dos que partilhavam essa urgência de mostrar o novo estava bem definida: o Bairro Alto era um semideserto onde as tascas serviam de ponto de encontro e conspiração de todo o tipo de vontades. Aqueles que viriam a ser a Sétima Legião não eram exceção. E o numeroso grupo de amigos divertia-se em lugares que já não existem, como o Bolívar, onde existia um "privado" na despensa da tasca, feito de grades de cerveja, e uma criança filha do dono que nos mostrava orgulhosamente cidades inteiras feitas de fósforos. Havia a alegria da partilha de um disco que vinha de longe, de cassetes BASF C90, nas quais alguém tinha gravado um grupo obscuro de Manchester. Havia um culto da tristeza, que ninguém levava muito a sério mas que as gabardinas escuras ostentavam. Havia risos, discussões, jukeboxes com medleys do Duo Ouro Negro, amêndoas amargas e raríssimos jantares no Capuchinho, em que uma refeição custava cerca de 60 escudos (30 cêntimos) e o vinho da casa seria hoje classificado como arma branca.
Havia isso. E houve a coragem de três amigos da Avenida de Roma se terem inscrito num dos muitos concursos de "música moderna" que, nessa altura, abundavam. Depois de vários anos a ensaiarem com violas e baldes de Skip (ainda está por escrever a influência que estes baldes de detergente tiveram no rock nacional), decidiram arriscar-se. Lembra o Pedro Oliveira: "Era um miúdo, e estava tão nervoso que não via nada. Só me lembro de ver o Rui Pregal da Cunha, muito bem vestido e pensar 'meu Deus, vou tocar no mesmo sítio que os Heróis do Mar!'" Ficaram em segundo lugar. Mas causaram impressão. Luís Filipe Barros, na altura um dos mais influentes radialistas, disse a um Ricardo Camacho que estava a iniciar o que seria a editora Fundação Atlântica: "Ouvi o grupo de que andas à procura. Tocam mal como o caraças mas soam bem como tudo." Pouco depois, a editora de Ayres Magalhães, Camacho e Miguel Esteves Cardoso contratava-os e dali sairia o single Glória e, mais tarde, o disco de estreia A Um Deus Desconhecido (1984).
Com discos editados, a crítica a exaltá-los e a rádio a ignorá-los, surgiu a obrigação de dar concertos. E estes aconteceram, em lugares mais do que improváveis. Lembro-me de um, particularmente agreste, num bar duvidoso, em Cacilhas: a banda subiu ao palco mais do que alegre, perante um público que não os conhecia nem queria conhecer. Todos de gabardinas. O vocalista, com as letras completamente perdidas, decide tocar de costas para a escassa assistência, numa língua que misturava um aparente dialeto eslavo com português. Foi, naturalmente, catastrófico. Pedro Oliveira: "Nós estávamo-nos nas tintas para as palmas! A primeira vez que nos bateram palmas foi no Porto e eu pensei que não eram para nós!" Com o tempo, tudo mudaria.
'Cada vez melhor'
De regresso aos ensaios, e ao século XXI, Camacho toca os acordes iniciais de uma das canções que já é um standard do cancioneiro português: Sete Mares. Quem assiste reconhece-a, de imediato, e a emoção é geral. Há quem dance, há quem cante, há quem se abrace. Trinta anos não beliscam um milímetro de um hino. Talvez seja por isso que tudo faz sentido, mas vale a pena convocar Rodrigo Leão: "Dizem que fui eu que juntei toda a gente... Não é verdade. Nos últimos seis meses, sempre dissemos que queríamos voltar a tocarem público. Estafoi uma boa oportunidade, que coincidiu com as disponibilidades de todos nós." Pergunto-lhe se alguma vez deixou de ser da Sétima Legião: "Nunca! Basta ouvir o Montanha Mágica [disco de 2011, de Rodrigo Leão] e percebe-se bem que está lá muito da Sétima." Mas mesmo assim... Trinta anos é muito tempo na vida de uma banda, muitos egos, muitas coisas para gerir. E, no entanto, para quem assiste a este ensaio é como se fosse a primeira vez. Resposta óbvia: "Seria impossível tocarmos desta forma estes anos todos, se não fossemos amigos."
É isso, então. A amizade. Os afetos, como no principio avisei. Esse é o segredo que faz com que um grupo de amigos toque "cada vez melhor" (Pedro Oliveira) e se encontre com a cumplicidade e as tensões do costume. Que tenha atravessado incólume o auge da fama e do sucesso comercial (com os discos Mar de Outubro, de 1987, e De Um Tempo Ausente, 1989), deixando espaço para talentos e vocações próprias.
Os concertos desta celebração servirão para lembrar - ou apresentar - o legado que este grupo de amigos deixou e que muitas bandas atuais reivindicaram. Os arranjos vão ser os mesmos, os músicos os mesmos, o prazer de tocar o mesmo. E enquanto deixo o local de ensaios, de coração cheio, ainda oiço, no ar, os acordes de Glória, a última canção a ser tocada nessa noite. "A morte não te há de matar", começa a letra. No que diz respeito à amizade, tenho a mais bela certeza.
DISCOS - De um tempo presente
Os palcos não serão a única maneira de celebrar os 30 anos da Sétima Legião: toda a discografia será reeditada, remasterizada e terá um novo arranjo gráfico, supervisionado pelos próprios. Além disso, sairá a primeira coletânea, com temas escolhidos por elementos do grupo. Mais: essa compilação (Memória) reúne em DVD o mítico concerto da banda, em 1990, no Pavilhão Carlos Lopes, e todos os seus videoclips oficiais. [Nuno Miguel Guedes in visão.sapo.pt]
No âmbito da programação do Cineclube da Feira será exibido, na biblioteca municipal, a 06 de Maio de 2012, pelas 21h45, o filme "Vergonha" de Steve McQueen.
José Eduardo Agualusa (Huambo, Angola; 13 de Dezembro de 1960) é um escritor angolano. Estudou agronomia e silvicultura no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Colaborou com o jornal português Público desde a sua fundação; na revista de domingo desse diário (Pública) assinava uma crónica quinzenal. Atualmente, escreve crónicas mensalmente para a revista portuguesa LER e semanalmente para o jornal angolano A Capital. Realiza o programa A Hora das Cigarras, sobre música e poesia africana, difundido na RDP África. É membro da União dos Escritores Angolanos. [ler mais]
Novo romance: Teoria Geral do Esquecimento
Teoria Geral do Esquecimento é o título do novo romance de José Eduardo Agualusa, que será editado pela Dom Quixote a 7 de Maio na colecção Autores de Língua Portuguesa.
Sinopse:
Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício – do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção.
Novo livro infantil: A Rainha dos Estapafúrdios
Estará disponível, em Maio, um novo livro infantil de José Eduardo Agualusa “A Rainha dos Estapafúrdios”.
Sinopse:
Este livro conta as aventuras de Ana, uma perdigota irrequieta e curiosa, à procura de uma roupa mais colorida do que aquela que a natureza lhe deu ao nascer. Sozinha, engana uma hiena esfomeada, enfrenta um leão feroz e transforma-se na rainha da savana. Como é que consegue tudo isto? Descobre estas e muitas outras peripécias da Rainha dos Estapafúrdios nas páginas coloridas e mágicas deste livro. Este é um livro para estar presente em todos os dias das nossas vidas.
Títulos disponíveis na biblioteca municipal.
NOTA: Brevemente, estarão disponíveis, na biblioteca municipal, os livros de José Eduardo Agualusa "Teoria Geral do Esquecimento" e “A Rainha dos Estapafúrdios”.
Estreiam, hoje, os filmes: “O Campo da Morte” de Ami Canaan Mann com Sam Worthington, Jeffrey Dean Morgan, Chloe Moretz, Jeffrey Dean Morgan; “Temos de Falar Sobre Kevin” de Lynne Ramsay com Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller; “O Corvo” de James McTeigue com John Cusack, Alice Eve, Luke Evans; “Era Uma Vez na Anatólia” de Nuri Bilge Ceylan com Muhammet Uzuner, Yilmaz Erdogan, Taner Birsel; “A Teia de Gelo” de Nicolau Breyner com Diogo Morgado, Margarida Marinho, Paula Lobo Antunes; “Descaradamente Infiéis” de Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Eric Lartigau, Gilles Lellouche com Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Lionel Abelanski.
“O Campo da Morte”
Sinopse:
A polícia de uma pequena cidade do Texas depara-se com uma série de homicídios sem resolução. A única coisa que os comprova são os corpos femininos mutilados, consecutivamente abandonados num pântano, por esse motivo denominado Campo da Morte. Ao mesmo tempo, na cidade vizinha, os inspectores Mike Souder (Sam Worthington) e Brian Heigh (Jeffrey Dean Morgan) debatem-se com a falta de pistas na investigação de mais um desaparecimento. Até que Anne (Chloë Grace Moretz), uma adolescente conturbada por quem Brian sente uma ligação especial, também desaparece sem deixar rasto. Apesar dos crimes no Campo da Morte se encontrarem fora da sua jurisdição, para Brian a investigação passa a ter
contornos pessoais e os dois não vão parar até encontrarem algo que os leve ao sádico assassino. Realizado por Ami Canaan Mann, "O Campo da Morte" baseia-se numa série de crimes ocorridos, entre 1983 e 1991, no Texas. [cinecartaz.pt]
“Temos de Falar Sobre Kevin”
Sinopse:
Eva (Tilda Swinton) era uma bem-sucedida jornalista de viagens quando descobriu estar grávida de Kevin (Ezra Miller). Por causa disso, abandona todas as suas ambições e dedica-se quase exclusivamente à vida familiar. Infelizmente, a sua vida enquanto mãe torna-se, a todos os níveis, um inesperado pesadelo. Desde muito cedo que a criança demonstra possuir um carácter difícil e estranhamente propenso à violência. Hoje, quase 17 anos volvidos, Kevin está preso, condenado pela autoria de um violento massacre na escola onde estudava, que resultou na morte de vários alunos e professores. E Eva sente que nada mais é do que a amargurada mãe de um sociopata. Através de várias cartas dirigidas a Franklin (John C. Reilly), o seu marido, a mulher desvenda o passado, dando a conhecer a terrível luta interior contra os sentimentos de dor e responsabilidade: até que
ponto a fúria assassina do filho se deveu às suas fraquezas enquanto mãe ou à própria relutância em enfrentar a maternidade. De que maneira a natureza de Kevin foi moldada por cada um dos pais? Realizado por Lynne Ramsay, um thriller psicológico baseado no romance homónimo
escrito, em 2003, pela jornalista Lionel Shriver. [cinecartaz.pt]
“O Corvo”
Sinopse:
Outubro de 1849. Baltimore, EUA. Depois do brutal assassinato de duas mulheres, o detective Emmett Fields (Luke Evans) faz uma descoberta aterradora: o crime tem uma estranha semelhança a um dos contos de terror da autoria de Edgar Allan Poe (John Cusack), recentemente publicados num jornal local. Poe torna-se imediatamente o principal suspeito do crime e é chamado a depor. Porém, durante o interrogatório, outro corpo com a mesma assinatura é encontrado, também inspirado no trabalho do escritor. Compreendendo que estão perante um psicopata que quer transformar a ficção em realidade, o detective decide unir os seus esforços à capacidade de dedução de Poe e, desta forma, apanhar o assassino antes que este volte a atacar. Com realização de James McTeigue ("V de Vingança"), um thriller que tem como protagonista Edgar Allan Poe, uma das mais carismáticas personalidades da literatura americana do séc. XIX. Usando factos verídicos e apoiado pela inexplicada morte do escritor, o filme tenta ficcionar os seus últimos dias de vida. [cinecartaz.pt]
“Era Uma Vez na Anatólia”
Sinopse:
Na cidade de Keskin, Turquia, uma caravana - da qual fazem parte advogados, coveiros, polícias e um médico legista - segue pelas estepes da Anatólia em busca de um corpo. Kenan, suspeito do homicídio, guia aqueles homens pela região tentando recordar-se do local onde sepultou o corpo. Diz que estava alcoolizado, que está confuso. Até que, depois de uma longa e exaustiva viagem, encontram o lugar que procuravam. O dia desperta, a vítima é recolhida e autopsiada ao mesmo tempo que a esposa do falecido chega para reconhecer o corpo. E é então que a causa e o motivo do crime são revelados. Realizado pelo turco Nuri Bilge Ceylan ("Os Três Macacos", "Uzak - Longínquo"), o filme foi um dos vencedores do grande prémio do júri no
Festival de Cannes de 2011, ex aequo com "O Miúdo da Bicicleta", de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Ceylan viu o seu nome indicado para a
Palma de Ouro. [cinecartaz.pt]
“A Teia de Gelo”
Sinopse:
Jorge, um informático ambicioso que não se conforma com a sua vida mediana, decide subir na vida a qualquer custo. Usando os contactos da empresa onde trabalha, desvia uma enorme quantia de dinheiro para a sua conta pessoal. Descoberto pelo chefe, que ameaça matá-lo caso não reponha o dinheiro nesse mesmo dia, mete-se no carro e foge sem destino até acabar despistado no meio de uma tempestade, a meio do nada. Assim, numa fuga desesperada, gelado, exausto e perdido num lugar inóspito, ele toma consciência em como a sua ganância deitou tudo a perder. Até que se cruza com uma velha mansão habitada que julga ser a sua salvação. Mas o lugar encerra segredos ainda mais terríveis do que o seu.
Realizado por Nicolau Breyner, conta com a participação de Diogo Morgado, Margarida Marinho, Nuno Melo, Patrícia Tavares, Sandra Cóias, Paula Lobo
Antunes, entre outros. [cinecartaz.pt]
“Descaradamente Infiéis”
Sinopse:
Apesar de acreditarem no amor verdadeiro, Fred, Olivier, François, Laurent, James (todos protagonizados por Jean Dujardin) e Greg, Nicolas, Bernard, Antoine e Eric (Gilles Lellouche) são incapazes de acreditar na fidelidade. Para eles, o homem é um animal polígamo e isso é uma fatalidade do género a que pertencem. Com esta ideia como ponto de partida, sete realizadores juntam-se para filmar várias curtas-metragens sobre o tema da infidelidade masculina e as suas múltiplas variações. Com argumento e realização de Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Eric Lartigau e Gilles Lellouche, "Descaradamente Infiéis" marca o regresso a um género de filme construído em "sketches", muito em voga no passado, em especial nas comédias italianas dos anos 1970.[cinecartaz.pt]
D. Francisco Manuel de Melo
Lisboa 23 de Novembro de 1608 – 24 de Agosto de 1666
[um dos mais importantes poetas do barroco peninsular]
Saudades
Serei eu alguma hora tão ditoso,
Que os cabelos, que amor laços fazia,
Por prémio de o esperar, veja algum dia
Soltos ao brando vento buliçoso?
Verei os olhos, donde o sol formoso
As portas da manhã mais cedo abria,
Mas, em chegando a vê-los, se partia
Ou cego, ou lisonjeiro, ou temeroso?
Verei a limpa testa, a quem a Aurora
Graça sempre pediu? E os brancos dentes,
por quem trocara as pérolas que chora?
Mas que espero de ver dias contentes,
Se para se pagar de gosto uma hora,
Não bastam mil idades diferentes?
Francisco Manuel de Melo
António Zambujo, nascido em Beja, em 1975, começou a estudar clarinete com 8 anos, estreando-se no Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Ainda pequeno, apaixonou-se pelo Fado e pelas vozes de Amália Rodrigues, Maria Teresa de Noronha, Alfredo Marceneiro, João Ferreira Rosa, Max entre muitos outros. Estava habituado a cantar em família e entre amigos, e aos 16 anos chegou mesmo a ganhar um concurso de fado.
Com o curso de clarinete na bagagem, ruma a Lisboa, onde Mário Pacheco, intérprete e compositor de guitarra portuguesa lhe abre a porta do conhecido Clube do Fado, no bairro de Alfama, onde passou a tocar. [ler mais]
Novo disco de António Zambujo: O Quinto
São, ao todo, 15 temas, com letras de, entre outros, Maria do Rosário Pedreira, João Monge, Nuno Júdice e Pedro da Silva Martins, e produção de Ricardo Cruz (também no 'baixo português'). Com uma forte projeção internacional desde o seu terceiro álbum, Outro Sentido, António Zambujo estará em digressão pela Europa a partir do próximo dia 12 até ao final de maio, com, por enquanto, apenas um concerto de apresentação em Portugal (a 24 de abril, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa).
JL: Percebe-se uma maior consistência neste disco, que encontraste, finalmente, o teu caminho. Sentes essa maturidade?
António Zambujo: Tem acontecido tudo de uma forma gradual e, talvez por isso, não sinta tanto como quem escuta. As referências são as mesmas desde o meu segundo álbum, Por meu cante, e creio que ganharam mais consistência a partir do terceiro. Neste e no anterior, o Guia, talvez se destaque mais a influência da música brasileira... Mas penso que a grande diferença deste Quinto tem a ver com o processo de gravação. Quisemos trazer um pouco do 'ao vivo' para o disco. Gravámos a maior parte dos temas no auditório do Centro de Artes de Sines, como se estivéssemos a dar um concerto. E, mesmo sem público, a sensação é outra: estamos os cinco em palco, a tocar ao mesmo tempo, e como existe uma grande cumplicidade entre nós, não só foi muito divertido como o resultado final ficou mais interessante.
Então o nome Quinto não é uma forma de assinalar o teu percurso, de chamar a atenção dos mais distraídos: 'Já vou no meu quinto álbum!'...
Ou a um quinto da minha carreira [risos] Não, não tem essa carga. Surgiu, em primeiro lugar, de uma enorme falta de criatividade na altura de escolher o título. Depois por uma série de coincidências: neste quinto disco, tocamos em quinteto e, também, muitos dos autores que trabalham comigo enviaram-me quintilhas, o que é curioso porque essa estrutura poética não é muito utilizada. Além disso, sempre tive uma ligação ao número '5', por exemplo, esse foi muitas vezes o meu número na escola.
Apesar de interpretares letras de vários autores, naturalmente diferentes entre si, consegues apropriar-te delas a ponto de as sentirmos como tuas. Isso passa também por uma cumplicidade com os autores?
Sem dúvida, tem muito a ver com essa ligação. Como gosto muito do que escrevem, a interpretação e a composição tornam-se mais fáceis. Quando leio um poema, sinto que ele já tem uma música própria, que só preciso descobrir a nota de cada palavra, para a valorizar. E é o que acontece com estes autores.
Já aconteceu enviarem-te um poema que não 'canta'?
Várias vezes. Este disco tem 15 temas e tive que escolher de entre mais de 45 poemas de diversos autores, incluindo nomes consagrados em Portugal e no Brasil. Há poemas que cantam mais alto do que outros e temos que optar. O mesmo acontece com os arranjos, ficaram músicas minhas de fora porque gostava mais das de outras pessoas. Há total isenção no momento da decisão final, é a qualidade que se impõe.
Já tinhas trabalhado com todos os letristas deste disco, à exceção do Pedro da Silva Martins, dos Deolinda. Como surgiu esse 'encontro'?
Conhecemo-nos num concerto da Ana Moura e descobrimos que éramos fã um do outro. O Pedro até já tinha uma pasta com o meu nome no computador. E foi assim que surgiram estas duas músicas dele: Algo Estranho Acontece e Queria Conhecer-te um Dia.
O Caetano Veloso considerou-te o João Gilberto de Portugal. O que pensas disso?
Acho que ele se enganou, queria dizer que o João Gilberto era o António Zambujo do Brasil [risos] Claro que me deixou muito feliz, primeiro, ter o Caetano a escrever um texto a meu respeito e, depois, comparar-me ao João Gilberto. São dois músicos que fazem parte da minha formação, e talvez os mais importantes, a par do Chet Baker e do Tom Waits. Mas se tivesse que escolher as minhas três maiores influências musicais, o Caetano e o João Gilberto estariam lá sempre. A terceira poderia variar. Por isso, a comparação que ele estabelece é, ao mesmo tempo, natural. É como aquela história: "Narciso só acha feio o que não é espelho" [cita Sampa, de Caetano]
Do ponto de vista musical, no que se traduz essa semelhança?
O João Gilberto 'despiu' o samba e criou um ritmo novo, só com a viola. Deixava muito espaço na música, deixava-a respirar, e cantava de uma maneira aparentemente simples mas, na verdade, muito complexa, dando total liberdade criativa para improvisar quando lhe apetecesse ou quando o poema lhe pedia para fazê-lo. E eu faço um pouco isso. Não sei se estou a ser imodesto, mas reconheço-me nesses aspetos. [Jornal de Letras: visao.sapo.pt]
NOTA: Brevemente, estará disponível, na biblioteca municipal, o CD de António Zambujo “Quinto”.
No âmbito da programação do Cineclube da Feira será exibido, na biblioteca municipal, a 29 de Abril, pelas 21h45, o filme "A rapariga da máquina de filmar" de André Vieira.
Hélia Correia é uma escritora portuguesa, nascida em fevereiro de 1949, licenciada em Filologia Românica e professora de Português do ensino secundário. Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético. [ler mais]
Poema de Hélia Correia:
Títulos disponíveis na biblioteca municipal.
NOTA: Brevemente, estará disponível, na biblioteca municipal, o livro de Hélia Correia "A terceira miséria".
Estreiam, hoje, os filmes: “Os Vingadores” de Joss Whedon com Robert Downey Jr., Chris Evans e Mark Ruffalo; “Este é o meu lugar” de Paolo Sorrentino com Sean Penn, Frances McDormand e Judd Hirsch; “Os piratas!” de Peter Lord e Jeff Newitt com as vozes de Hugh Grant, Brendan Gleeson, Salma Hayek e Jeremy Piven.
“Os Vingadores”
Sinopse:
Quando uma força hostil aparece e ameaça a segurança ao mais alto nível, Nick Fury, director da agência antiterrorismo S.H.I.E.L.D (Strategic Homeland Intervention, Enforcement and Logistics Division),vê-se forçado a recorrer à mais improvável equipa de super-heróis: Thor, Homem de Ferro, Capitão América, Viúva Negra, Hulk e Hawkeye. Porém, para que seja possível salvar o universo, eles terão de superar-se enquanto indivíduos e tornar-se aptos a conjugar os seus poderes extraordinários, formando a mais poderosa equipa de todos os tempos.
Produzido pelos Marvel Estudios e distribuído pela Disney Pictures, o filme cruza não apenas várias personagens Marvel mas também os seus filmes. Com realização e argumento de Joss Whedon, conta ainda com a participação de um impressionante leque de actores: Samuel L. Jackson, Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Gwyneth Paltrow, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Stellan Skarsgård, entre outros. [cinema.ptgate.pt]
“Este é o meu lugar”
Sinopse:
Cheyenne, americano judeu na casa dos 50, é uma ex-estrela do rock com uma vida enfadonha em Dublin, Irlanda. Até saber que o pai, de quem não tem notícias há mais de 30 anos, está à beira da morte. O homem apressa-se a regressar a Nova Iorque, mas chega demasiado tarde. É então que, através de diários antigos, descobre a grande obsessão paterna: a incessante busca de Aloise Muller, o seu carcereiro em Auschwitz durante os anos de extermínio e perseguição aos judeus, que se terá refugiado nos EUA depois da guerra. Numa tentativa de se conciliar com o passado, Cheyenne decide prosseguir as buscas do progenitor e terminar o seu plano inacabado. Parte assim numa longa viagem pelo interior dos EUA, durante a qual encontrará novamente as forças para recomeçar a viver e conseguirá, por fim, reconciliar-se consigo mesmo.
Uma comédia dramática realizada pelo italiano Paolo Sorrentino ("As Consequências do Amor", "Il Divo"), com Sean Penn, Frances McDormand e Judd Hirsch nos principais papéis.
"Este é o Meu Lugar", título inspirado no tema "This must be the place" dos nova-iorquinos Talking Heads, foi um dos filmes concorrentes à Palma de Ouro em Cannes, vencendo o Prémio do Júri Ecuménico. [cinema.ptgate.pt]
“Os piratas!”
Sinopse:
São piratas, mas o seu capitão (voz de Hugh Grant) não é o terror dos mares nem a sua tripulação, apesar de esforçada, prima pela crueldade ou ferocidade. O seu prestígio perante os pares não podia ser mais lastimável e parece que lhes resta apenas uma maneira de reverter a situação: ganhar, a pulso firme, o Grande Prémio do Pirata do Ano. Contudo, para além de um plano perfeito que convença o júri, eles terão de derrotar os seus piores rivais: os terríveis Black Bellamy (Jeremy Piven) e Liz Lâmina (Salma Hayek). Assim, o grupo aventura-se a desafiar a Rainha Vitória, conhecida por ser a maior perseguidora de piratas de todos os tempos. Mas, para que o seu plano "siga a bom porto", eles terão também de alterar toda a dinâmica de grupo e transformarem-se em piratas verdadeiramente corajosos... e terríficos.
Com história e argumento de Gideon Defoe e realização de Peter Lord ("A Fuga das Galinhas") e Jeff Newitt, um filme de animação dos estúdios Sony Pictures Animation com a assinatura Aardman. [cinema.ptgate.pt]
AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Título: As Cozinheiras de livros
Autora e ilustradora: Margarida Botelho
Editora: Presença
Sinopse:
Escrito e ilustrado por Margarida Botelho, chega-nos um fabuloso livro com uma história original e divertida. Algo de muito estranho se estava passar com os livros e a cidade estavaem alvoroço. Seriaa crise? Ninguém sabia a resposta, mas a verdade é que não havia livros novos… As pessoas já não sabiam o que mais podiam fazer na esperança de novas aventuras, até já tinham lido todos os nossos livros de trás para a frente, de baixo para cima e até de pernas para o ar… Mas nada resultava. O que teria acontecido à fábrica dos livros? Uma aventura fantástica que nos leva a uma viagem de sonho em que os livros têm um papel fundamental na vida das pessoas.
Obra vencedora, na modalidade de livro infantil, do Prémio Literário Maria Rosa Colaço, 2008.
Florence and the Machine ou Florence + the Machine é o nome artístico da cantora inglesa Florence Welch em colaboração com outros músicos. O som da banda tem sido descrito como uma combinação de vários gêneros, incluindo indie, folk e soul. The Machine (A Máquina) é o nome atribuído à banda de apoio de Florence, composta essencialmente de músicos instrumentistas, que variam dependendo das necessidades sonoras das performances realizadas. No entanto esse apelido surgiu de sua relação de amizade com Isabella "Machine" Summers. [ler mais]
Os Florence + The Machine regressam a Portugal no próximo ano. A banda de Florence Welsh atua no dia 14 de julho, no Passeio Marítimo de Algés.
O projecto vem apresentar o novo álbum, "Ceremonials" (capa na imagem), editado no passado mês de Outubro, e do qual já conhecemos as faixas ‘What The Water Gave Me’ e ‘Shake It Out’. O sucessor de “Lungs” foi produzido por Paul Epworth e as gravações decorreram durante cinco semanas, no famoso Studio 3 na Abbey Road, no qual os Beatles gravaram “Revolver” e os Pink Floyd “Dark Side Of The Moon”.
“Lungs” foi o aclamado álbum de estreia de Florence+The Machine. O registo deu a conhecer temas como ‘Kiss With A Fist’, ‘Dog Days Are Over’, ‘Rabbit Heart (Raise It Up), ‘Drumming Song’, ‘Cosmic Love’ e ‘You've Got The Love’.
Esta será a terceira atuação de Florence + The Machine em Portugal. As primeiras foram na Aula Magna e no Optimus Alive'10. A atuação do próximo ano será no palco principal do mesmo festival, que decorre a 13, 14 e 15 de julho de 2012. [mtv.pt]
Mulheres dominam nomeações nos Ivor Novello Awards
A lista de nomeados para os Ivor Novello Awards 2012 é dominada por artistas femininas. Pela primeira vez, a categoria de Melhor Álbum será disputada apenas por mulheres: Adele, PJ Harvey e Kate Bush.
Para o prémio de Melhor Canção, o único artista masculino a intrometer-se entre Adele e Florence & the Machine é Ed Sheeran com «The A Team». […]
Os Ivor Novello Awards são entregues a 17 de maio numa cerimónia a realizar em Londres.
Nomeados para Melhor Canção (musicalmente e liricamente)
- «Rolling In The Deep», Adele
- «Shake It Out», Florence & the Machine
- «The A Team», Ed Sheeran. [tvi24.iol.pt]
No âmbito da programação do Cineclube da Feira será exibido, na biblioteca municipal, a 22 de Abril, pelas 21h45, o filme "Os descendentes" de Alexander Payne.
George R. R. Martin trabalhou dez anos em Hollywood como argumentista e produtor de diversas séries e filmes de grande sucesso. Autor de várias coletâneas de contos e noveletas, foi em meados de anos 90 que começou a sua obra mais famosa, As Crónicas de Gelo e Fogo. É a saga de fantasia mais vendida da atualidade e uma adaptação televisiva de grande sucesso foi realizada pela HBO. Um autor multifacetado, a sua obra estende-se a diversos géneros como o horror, a fantasia, a ficção científica, e a prova disso são os títulos Dying of the Light, Windhaven (com Lisa Tuttle), The Armageddon Rag e Sonho Febril. [saidadeemergencia.com]
George R.R. Martin na primeira pessoa: um céptico com fome de encontrar Deus
Escreve histórias do Fantástico, mas diz-se um homem da ciência. Na política define-se como liberal democrata, já foi activista, actualmente pensa que pode intervir mais através da escrita. George R.R. Martin, autor da saga «As Crónicas de Gelo e Fogo», confessa-se um «céptico» mas com «fome de encontrar Deus». (Aviso: este texto pode «estragar» a surpresa para quem ainda não leu os livros da saga)
O autor está em Lisboa e conta como «corre» atrás daquela história que um certo dia o invadiu, cheia de magia, intrigas, lutas, alianças, jogos de sedução e luxúria. Sabe como acaba, mas isso não conta.
Em vésperas de o Syfy lançar a segunda temporada de «A Guerra dos Tronos» (o primeiro livro da saga), da HBO, a 23 de abril, George R.R. Martin conta que entre todos os livros que já escreveu – entre ficção científica, fantástico, terror – esta saga é o seu «bebé».
«Não sei de onde a ideia veio, mas veio tão vívida e forte que pus o outro livro de lado e tive que a escrever. Aquele primeiro capítulo levou só três dias, mas quando acabei já sabia como seria o próximo e acabei por escrever no verão de 1991». Quando voltou à história, em 1994, parecia que em vez de dois anos tinham passado dois dias. «É preciso apanhar o momento. O que importa é que a história vem».
Alguns personagens têm que ser eliminados, uma vez que com cada livro surgem novos. É um desafio para o argumentista e para a HBO, manter tudo sob controlo, pois requer mais actores, salários, afirma.
E apesar de tantas personagens e de tantas estórias dentro da história, entrelaçando-se umas nas outras, garante que não se perde no meio, mas algumas vezes tem de voltar atrás e reler coisas, para fazerem sentido e serem coerentes. «Às vezes corrijo algumas inconsistências, mas estes personagens são tão reais para mim...vivo com eles. Às vezes digo que deve haver alguma coisa errada com o meu cérebro, porque a maior parte das pessoas ocupa o seu com pessoas reais, enquanto eu, na vida real, conheço pessoas hoje e esqueço-as amanhã». «Mas mesmo as personagens secundárias em Westeros, vejo-as na minha cabeça, como se vestem, como falam, a sua aparência..» . «Fico sempre ligado a elas, mesmo às que são cheias de defeitos como Theon Greyjoy ou Victarion Greyjoy, podem ser personagens perversas, mas quando se escreve sobre elas e se vive com elas percebe-se o que lhes vai na cabeça e porque são como são, quais são os seus demónios pessoais, chega-se a sentir compaixão», conta.
«Gosto de todos os personagens, como todos os pais gostam de todos os filhos, embora haja sempre um favorito...só não o confessam. O meu favorito é Tyrion - o anão filho do homem mais rico de Sete Reinos, Tywin Lannister, e interpretado na série por Charles Dance –, gosto da sua inteligência».
«Gosto de todos, mas não quer dizer que não os mate, a história é quem manda e eu sigo a história onde ela me quer levar», assegura, acrescentando que a criação de personagens fortes, complexas e ligadas à realidade é central em todo o processo, não importa qual seja o género literário. «A fantasia peca muitas vezes por ter personagens fracas, muito «a preto e branco», ou heróis ou vilões, bons ou maus, a maior parte dos seres humanos não é assim». «Todos nós somos capazes do bem e do mal, de actos de heroísmo e de cobardia, dependendo das condições daquele preciso momento», afirma.
«É isso que adoro e acho fascinante na raça humana, a complexidade, as várias camadas dentro de cada ser e a maneira como se entrelaçam. Isso é o que tento dar às minhas personagens», explica.
A cena mais difícil de escrever foi sem dúvida o Casamento Vermelho. «Foi muito doloroso, mas a dor é parte do processo». Ficou muito afectado, porque teve que matar personagens que lhe eram muito caros, muito reais, que o acompanharam durante muito tempo, Catelyn Stark (interpretada por Michelle Fairley) e o seu filho Robb Stark (interpretado por Richard Madden).
Escritor do Fantástico, confessa-se, no entanto, um céptico. Católico de educação, afastou-se pouco a pouco e deixou de ir à missa quando entrou para a faculdade. «E não sou uma pessoa mística, sou uma pessoa de ficção científica, preciso de provas, não me falem de deuses sem me poderem provar que na realidade existem», afirma, admitindo que, no entanto, ao mesmo tempo tem «uma fome, adorava encontrar provas da existência de Deus, da vida após a morte». «Eu escrevo sobre isso e sobre o efeito das religiões nas pessoas, mas escrevo com base no meu conhecimento histórico das coisas», diz. «É uma questão fascinante, mas sou um céptico».
Já em relação à política mostra-se muito interessado e confessa que segue o tema de perto. Foi objector de consciência e anti-guerra do Vietname, era muito pró hippie, define-se como um democrata liberal, mais liberal que democrata, mas considera que pode intervir mais através da escrita. Às vezes recebe mensagens zangadas dos fãs republicanos/conservadores, e lamenta que os republicanos tenham «sido tomados pela direita». «A extrema direita na América é assustadora, é algo a que me oponho, não acredita no aquecimento global, não acredita na ciência, há um forte grau de negação».
Modesto, George R.R. Martin sentiu-se muito honrado com a designação que a revista Time lhe atribuiu de «uma das pessoas mais influentes do mundo», mas considera que na lista havia pessoas que na realidade influenciam muito mais a sociedade que ele próprio.
O autor mostra-se muito satisfeito coma forma como o livro foi transportado para o pequeno écran. São 10 horas para 10 episódios. «Há muitas limitações em televisão, mas tendo em conta essas limitacões, a HBO foi muito fiel ao livro», disse. «Não se limitaram a retirar elementos da história e a fazer outra, como muitas vezes acontece». «Acho que os meus fãs também estão contentes, à excepção de alguns puristas». [diariodigital.pt]
Títulos disponíveis na biblioteca municipal.
O vencedor do Prémio BES Photo é o moçambicano Mauro Pinto, segundo escolha do júri entre os quatro finalistas que estiveram presentes na sessão desta terça-feira no Museu Coleção Berardo.
«Ainda não digeri esta vitória. Não estava à espera. Quero desfrutar do valor do prémio, não só monetário, mas a nível global, pela importância que tem», confessou o artista, citado pela LUSA.
Mauro Pinto, nascido em 1974 em Maputo, recebeu pela primeira vez este prémio, o mais importante na área da fotografia e que contempla o vencedor com o valor de 40 mil euros.
O moçambicano concorreu com 12 fotografias captadas no bairro da Mafalda, em Maputo, entre as quais retratam interiores de casas, paisagens, pessoas e ruas do local onde nasceu o futebolista Eusébio.
Nesta 8ª edição do Prémio BES Photo, os outros finalistas eram Duarte Amaral Netto, de Portugal, Rosangela Rennó e o Coletivo Cia de Foto, ambos do Brasil.
Esta é uma iniciativa do Banco Espírito Santo e o prémio é organizado em parceria com o Museu Coleção Berardo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Pela primeira vez, o vencedor não é um artista português, sendo que no ano passado o galardão foi alargado a artistas de nacionalidade brasileira e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, os PALOP. [tvi24.iol.pt]
Estreiam, hoje, os filmes: “Assim Assim” de Sérgio Graciano com Ivo Canelas, Nuno Lopes, Rita Blanco; “O Exótico Hotel Marigold” de John Madden com Bill Nighy, Maggie Smith, Judi Dench; “Capitães da Areia” de Cecília Amado e Guy Gonçalves com Jean Luis Amorim, Ana Graciela e Roberio Lima; “Terraferma” de Emanuele Crialese com Filippo Pucillo, Donatella Finocchiaro e Beppe Fiorello; “Batalha Naval” de Peter Berg com Taylor Kitsch, Liam Neeson e Alexander Skarsgård.
“Assim Assim”
Sinopse:
Em 2010, Sérgio Graciano vencia a primeira edição do Shortcutz Lisboa, com a curta-metragem "Assim Assim". Esta curta premiada foi então transposta para longa num filme que, ao seguir cinco pessoas que se cruzam numa esplanada em Lisboa, parte do pressuposto de que "as relações são complicadas porque as pessoas pensam demasiado" e porque "no fundo, já ninguém acredita no amor". Desta maneira são revistos os seus amores, desejos e decepções nas relações com todos os outros ou consigo mesmos. [cinecartaz.publico.pt]
“O Exótico Hotel Marigold”
Sinopse:
Já reformados, sete ingleses (Bill Nighy, Maggie Smith, Judi Dench, Tom Wilkinson, Penelope Wilton, Celia Imrie e Ronald Pickup) são aliciados a viver o resto dos seus dias num sumptuoso hotel na Índia. Uma vida luxuosa a um preço acessível, segundo a agência que lhes vende o pacote. Porém, lá chegados, descobrem que o antigo palácio, agora transformado Hotel Marigol, já não tem o esplendor do passado. Desiludidos e sentindo-se enganados, os sete revelam algumas dificuldades em adaptar-se a uma cultura totalmente diferente da sua. Porém, será ali mesmo, com a preciosa ajuda do jovem indiano Sonny (Dev Patel), que cada um descobrirá que não existe idade limite para redescobrir a alegria de viver.
Uma comédia romântica realizada por John Madden ("A Paixão de Shakespeare", "O Capitão Corelli"), que tem como base o best-seller da escritora e argumentista inglesa Deborah Moggach. [cinecartaz.publico.pt]
“Capitães da Areia”
Sinopse:
Década de 30 em São Salvadorda Bahia, Brasil. Os Capitães de Areia são um grupo de meninos abandonados e marginalizados que, ao tentar sobreviver nas ruas à custa de pequenos crimes, aterrorizam a cidade. Pedro Bala (Jean Luís Amorim) é uma espécie de pai para os outros que descobre ser filho de um sindicalista morto durante uma greve. O Professor (Robério Lima) adora ler e possui um enorme talento como desenhista. Gato (Paulo Abade) é o sedutor nato que acaba por conquistar a prostituta Dalva (Ana Cecília). Sem- Pernas (Israel Gouvêa) é um menino coxo que odeia a polícia e Dora (Ana Graciela), a única capitã de Areia alguma vez aceite no grupo, é a menina doce que se tornou na "irmã" dos mais velhos e na "mãe" dos mais pequenos. E será por ela que tanto Pedro Bala como o Professor se apaixonam.
Primeira longa-metragem de Cecília Amado e de Guy Gonçalves, "Capitães de Areia" baseia-se na obra homónima de Jorge Amado, avô de Cecília. O livro foi, na altura da sua publicação em 1937, perseguido pelo Governo brasileiro que o acusava de se tratar de propaganda comunista: 808 exemplares foram queimados em praça pública. A banda sonora original do filme pertence ao conhecido cantor baiano Carlinhos Brown. [cinecartaz.publico.pt]
“Terraferma”
Sinopse:
Filippo (Filippo Pucillo) tem 20 anos e nunca saiu de Lampedusa, a pequena ilha onde nasceu. O pai desapareceu dois anos antes, deixando viúva sua mãe Giulietta (Donatella Finocchiaro). O avô ensinou-o a respeitar o mar de forma a sobreviver através da pesca e a viver apenas daquilo que a Natureza lhe podia dar. Giulietta, porém, quer que o filho tenha uma vida diferente e seja poupado ao destino daquela gente. Por isso, com o subsídio estatal para abater barcos velhos, almeja reconstruir a sua vida no continente, em terra firme. Mas Filippo não quer destruir o barco do pai e tenta convencê-la a usá-lo para passear turistas durante a época balnear. Certo dia, durante uma expedição de pesca, Filippo e o avô deparam-se com um barco de um grupo de imigrantes africanos. Entre estes encontra-se Sara (Timnit T.), uma mulher em fim de gravidez com um filho pequeno, que levam para casa, aos cuidados de Giulietta. E é assim que, sem o saberem, os três se tornam cúmplices de um novo crime: "ajudar e instigar a imigração ilegal".
Realizado por Emanuele Crialese ("Respiro", "A Porta da Fortuna") e rodado na ilha siciliana onde tinha sido filmado "Respiro" em 2002, um filme sobre a difícil vida dos pescadores pobres e dos imigrantes ilegais que todos os dias se esforçam por chegar à Europa. O argumento tem por base a verdadeira história de Timnit T., que protagoniza Sara.
[cinecartaz.publico.pt]
“Batalha Naval”
Sinopse:
Uma frota internacional em exercício naval no Pacífico é surpreendida com a súbita visão de uma nave extraterrestre que emerge do oceano. Os alienígenas depressa revelam um objectivo específico, decididos a destruir tudo o que se lhe atravesse pelo caminho. Quem são aqueles estranhos seres? Quais as suas intenções? Há quanto tempo estarão escondidos nas profundezas do oceano? A bordo do vaso de guerra norte-americano "USS John Paul Jones", o jovem oficial Alex Hopper e o almirante Shane terão de pôr de parte as suas quezílias pessoais e, com o apoio de toda a frota, encontrar uma forma de destruir o inimigo antes que nada mais possa ser feito.
Realizado por Peter Berg ("O Reino", "Hancock"), é baseado no clássico jogo de batalha naval da Hasbro. Entre o elenco, Liam Neeson, Taylor Kitsch, Alexander Skarsgård e Rihanna. [cinecartaz.publico.pt]
Não, não, não subscrevo...
Não, não, não subscrevo, não assino
que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas - armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos que
irão secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de faláeia imensa.
E todos eram povo e em nome del' falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e à inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do pais no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois que
do lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Áfricas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o OteIo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocrata
do oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio
o navegante intrépido). Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa - defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte. Não é tempo
para tratar de poéticas agora.
Título: Se eu fosse um livro
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: André Letria
Editora: Pato lógico
Sinopse:
O livro dos livros!
Quem, de entre os apaixonados pelos livros, nunca sentiu que o mundo se transforma à sua volta por influencia do que está a ler?
Se eu fosse um livro fala desse objecto mágico e cativante que pode mudar uma vida.
“se eu fosse um livro, pediria a quem me encontrasse na rua para me levar para casa consigo.” É a primeira frase do livro e acompanha a ilustração que foi escolhida para capa. Mas lá dentro pode ainda ver-se um homem a caminhar e aperceber-se da presença daquele poderoso objecto sobre o banco de jardim. Será que vai levá-lo para casa? Seguem-se outras belas frases e metáforas visuais à volta dos desejos de um livro: “… havia de partilhar com os meus leitores os segredos mais antigos e secretos”, “… havia de querer ser, antes de mais nada, sempre lido e livre”, “… pedia às pessoas para não me usarem como ornamento de prateleiras”, “… havia de estar em todos os lugares onde fosse capaz de fazer alguém feliz”.
Títulos disponíveis na biblioteca municipal.
Os elementos fundadores do grupo Madredeus foram: Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), Rodrigo Leão (teclados), Francisco Ribeiro (violoncelo) falecido em Setembro de 2010, Gabriel Gomes (acordeão) e Teresa Salgueiro (voz). Magalhães e Leão formaram o grupo em 1985, Ribeiro e Gomes juntaram-se a eles em 1986. Na sua busca por uma vocalista, descobriram Teresa Salgueiro numa casa nocturna de Lisboa, quando esta cantava alguns fados numa reunião informal de amigos. Teresa foi convidada para uma audição e aí surgia o grupo, o qual ainda não tinha um nome. [ler mais]
Madredeus iniciam digressão internacional em Londres
Desde que a cantora Teresa Salgueiro resolveu seguir um percurso a solo, no final de 2007, que os Madredeus e a própria Salgueiro, nunca mais conseguiram alcançar a projecção que haviam conseguido ao longo de mais de vinte anos de carreira. Agora, quando passam 25 anos sobre o início do projecto, os Madredeus parecem decididos a regressar em força.
Esta segunda-feira à noite, numa importante sala londrina, o Barbican, actuam ao vivo, iniciando uma digressão internacional que os conduzirá a vários palcos internacionais. O pretexto para esta série de actuações é o álbum Essência, mesmo agora editado, constituído pela regravação de uma série de clássicos da sua longa carreira. O grupo liderado por Pedro Ayres Magalhães nunca escondeu que o palco era o seu habitat natural e com esta nova aventura pretendem voltar demonstrá-lo com convicção.
Na génese do novo álbum está a ideia de regravar canções do grupo com novos arranjos, nomeadamente para cordas. As treze canções eleitas percorrem álbuns como “Os Dias da Madredeus” (1987), “Existir” (1990), “Espírito da Paz” (1994), “O Paraíso” (1997), “Movimento” (2001) e “Metafonia” (2008), ou seja as escolhas incidiram em algumas das canções mais marcantes da primeira década de vida da existência do colectivo como “Ao longe o mar”, “O pomar das laranjeiras” ou “A sombra”.
Para além de um novo formato – guitarra clássica, sintetizadores, violinos, violoncelo e voz – a grande novidade deste regresso é uma nova vocalista, Beatriz Nunes, que será acompanhada por Pedro Ayres Magalhães, Carlos Maria Trindade e três companheiros novos – Jorge Varrecoso, António Figueiredo e Luís Clode – que se ocuparão dos instrumentos de cordas.
O primeiro concerto da digressão aconteceu sábado, nas Caldas da Rainha, mas é amanhã, em Londres, que a digressão internacional se inicia. Turquia (29 Abril), Hungria (12 Maio), Eslovénia (27 Maio), Porto (27 Maio, Casa da Música) e Lisboa (31 Maio, C.C.B.) são algumas das datas marcadas até ao fim de Maio. Áustria, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Bélgica, França ou Holanda são outros países que, nos próximos meses, irão receber esta nova reencarnação daquele que já foi o mais internacional dos projectos musicais portugueses das últimas décadas. [publico.pt]
Títulos disponíveis na biblioteca municipal.
NOTA: Brevemente, estará disponível, na biblioteca municipal, o CD ”Essência” de Madredeus.