"acho que Emerson escreveu algures que uma biblioteca é uma espécie de caverna mágica cheia de mortos. e esses mortos podem renascer, podem voltar à vida quando abrimos as suas páginas." [BORGES, Jorge Luis in Este ofício de poeta]

Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014
Autor da semana: Miguel Miranda

 

Miguel Miranda, de nome completo Miguel Paulo Barrosa Pinto de Miranda (Porto, 18 de Maio de 1956) é um escritor português. Obteve o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (Associação Portuguesa de Escritores) em 1996 com o livro Contos à Moda do Porto; O prémio Caminho de Literatura Policial em 1997 com o livro O Estranho Caso do Cadáver Sorridente; O Prémio Fialho de Almeida SOPEAM 2011 com o livro A Maldição do Louva-a-Deus. A sua obra percorre os géneros literários do romance, do conto e da literatura policial, com uma pequena incursão na literatura infanto-juvenil. [ler mais]

 

 

“A fome do Licantropo e outras histórias” - o novo livro de Miguel Miranda - será apresentado na biblioteca municipal de Santa Maria da Feira a 22 de março de 2014.

 

Miguel Miranda, Um invulgar 'profissionário'

A pergunta repete-se e a resposta também não varia. Está a escrever um novo livro? Está sim. Ainda não saiu “A Fome do Licantropo e outras Histórias”, que chega às livrarias na próxima sexta, 24, e Miguel Miranda já mergulhou num novo romance. E acrescenta: "Na editora já lá deixei outro, um policial. Este que agora comecei talvez saia em 2015". Escrever, para este médico, nascido no Porto, em 1956, é um "prazer enorme", que o transporta para os mais inesperados mundos. Como os das personagens que compõem este "profissionário". São adivinhos, exumadores, jardineiros, quiromantes e usuários que ora têm uma vida exuberante por fora, ora escondem um universo sem limites por dentro. Um A a Z sobre artes, ofício e vocações que deixaria boquiaberto qualquer funcionário de um centro de emprego. Ficção em estado puro, numa inesgotável vontade de contar histórias e retratar almas. [visão.sapo.pt]

 

Títulos, deste autor, na biblioteca municipal.



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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014
Autor da semana: Flávio Capuleto

 

Flávio Capuleto, pseudónimo literário de Flávio Luís de Jesus Costa, nasceu no concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, a 29 de novembro de 1942.
A sua paixão pelos livros manifestou-se cedo, levando-o a publicar diversos romances, edições de autor, que vendeu diretamente ao público. Ganhou também a vida como vendedor de coleções de literatura universal. Conheceu a amarga experiência da Guerra Colonial, sendo-lhe concedida a Medalha Comemorativa das Campanhas do Norte de Angola. De regresso da campanha militar,prosseguiu os estudos como autodidata, sem nunca perder de vista o seu sonho: tornar-se escritor. No Calor dos Trópicos é o seu primeiro romance histórico. [ler mais]

 

 

O novo livro de Flávio Capuleto “Inferno no Vaticano” será apresentado, a 01 de fevereiro, pelas 17.00h no auditório da biblioteca municipal de Santa Maria da Feira.

 

Sinopse:

Há um morto nas catacumbas do Vaticano. Francesco Barocci, curador do Tesouro, é encontrado sem vida na Sala das Relíquias. Foi assassinado: chuparam-lhe o sangue. Há bispos e cardeais em pânico. Um português, o inspector Luís Borges, e uma simbologista, a escaldante Valeria Del Bosque, encarregam-se da investigação. Um tesouro que todos conhecem e todos querem esconder, uma conspiração que ameaça o Papa, uma sociedade secreta que semeia as igrejas de cadáveres.
São estes os mistérios que o inspector e a simbologista têm de decifrar. Uma batalha cruel, florentina, com mais ouro e sexo do que incenso e mirra.

 

Títulos, deste autor, disponíveis na biblioteca municipal.



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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014
Autor da semana: Afonso Cruz

 

Afonso Cruz nasceu em 1971, na Figueira da Foz e estudou nas Belas Artes de Lisboa, no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e na António Arroio. É escritor, músico, cineasta e ilustrador.

Afonso Cruz publicou, até à data, treze livros de ficção: A Carne de Deus, em 2008, um thriller satírico e psicadélico; Enciclopédia da Estória Universal, em 2009, um engenhoso e divertido exercício borgesiano com o qual venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e Os Livros que Devo­ra­ram o Meu Pai, em 2010, livro infanto-juvenil vencedor do Prémio Literário Maria Rosa Colaço de 2009. A este seguiram-se, também em 2010, A Boneca de Kokoschka - Prémio da União Europeia para a Literatura - e A Contradição Humana, vencedor do Prémio Autores 2011 SPA/RTP, escolhido para a exposição White Ravens 2011, menção especial do Prémio Nacional de Ilustração, Lista de Honra do IBBY (International Board on Books for Young People) e Prémio Ler/Booktailors na categoria Melhor Ilustração Original. Em 2011 publicou o livro O Pintor Debaixo do Lava-Loiças e em 2012 "Enciclopédia da Estória Universal - Recolha de Alexandria" e "Jesus Cristo Bebia Cerveja" Prémio Time Out - Melhor Livro do Ano. Em 2013 saíram os livros "Enciclopédia da Estória Universal - Arquivos de Dresner", "O Livro do Ano", "O Cultivo de Flores de Plástico", "Assim, Mas Sem Ser Assim" e "Para Onde Vão os Guarda-Chuvas". Para além disso, colaborou, na edição portuguesa do Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas com o ficcional "Síndroma da Culpa Absoluta"; no livro Prazer da Leitura com o conto O Cavaleiro Ainda Persegue/A Mesma Donzela; na novela policial O Caso do Cadáver Esquisito; n' Antologia de Ficção Científica Fantasporto; na antologia de contos de literatura fantástica Volluspa; no livro Histórias Daninhas; no Isto Não É um Conto e "21 Cartas de Amor"; no livro Micro-Enciclopédia; no romance colectivo A Misteriosa Mulher da Ópera. Assina uma crónica mensal no Jornal de Letras, Artes e Ideias sob o título Paralaxe. [ler mais]

 

 

Títulos, deste autor, disponíveis na biblioteca municipal.



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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014
Autor da semana: Gastão Cruz

 

Gastão Santana Franco da Cruz (Faro, 20 de Julho de 1941) é um poeta, crítico literário e encenador português.

Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do ensino secundário e leitor de Português no King's College, pertencente à Universidade de Londres.

Como poeta, o seu nome aparece inicialmente ligado à publicação colectiva Poesia 61 (que reuniu Gastão Cruz, Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta), uma das principais contribuições para a renovação da linguagem poética portuguesa na década de 60. Como crítico literário, coordenou a revista Outubro e colaborou em vários jornais e revistas ao longo dos anos sessenta - Seara NovaO Tempo e o Modo ou Os Cadernos do Meio-Dia (publicados sob a direcção de Casimiro de Brito e António Ramos Rosa). Essa colaboração foi reunida em volume, com o títuloA Poesia Portuguesa Hoje (1973), livro que permanece hoje como uma referência para o estudo da poesia portuguesa da década de sessenta. [ler mais]

 

Mário de Carvalho e Gastão Cruz distinguidos pela Fundação Inês de Castro

 

O romancista Mário de Carvalho venceu o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2013 com o livro de contos "A liberdade de Pátio" e o poeta Gastão Cruz recebeu o prémio de carreira, disse à Lusa fonte da fundação.

O prémio literário e o de carreira foram atribuídos por unanimidade aos dois escritores por um júri composto pelo catedrático José Carlos Seabra, pelo escritor Mário Cláudio, pelo poeta e ensaísta Fernando Guimarães, pelo tradutor e poeta Frederico Lourenço e pelo escritor e crítico literário Pedro Mexia.

Mário de Carvalho e Gastão Cruz receberão os prémios a 15 de março na Quinta das Lágrimas, em Coimbra.

O Prémio Literário Fundação Inês de Castro, que vai na sétima edição, distingue anualmente obras literárias sobre motivos do "mito inesiano".

Maria do Rosário Pedreira, Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares venceram as edições anteriores do Prémio Literário. [rtp.pt

 

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Sexta-feira, 27 de Dezembro de 2013
Autor da semana: José Bento

 

José Bento de Almeida e Silva Nascimento (Pardilhó, Estarreja, 17 de novembro de 1932) é um poeta e tradutor português, e importante divulgador da cultura hispânica em Portugal, tendo começado a fazer traduções do espanhol para o português há mais de meio século

Fez os seus primeiros estudos em Pardilhó, continuando-os no Porto e em Lisboa, onde concluiu, em 1955, o curso do extinto Instituto Comercial de Lisboa e ingressou no ensino secundário, que abandonou para trabalhar em diversas empresas. Ainda estudante colaborou no jornal "O Concelho de Estarreja" e em algumas revistas de poesia como Árvore, Sísifo, Eros e Cadernos do Meio-Dia. Foi um dos fundadores, nos anos 50, da revista de poesia Cassiopeia. De 1963 a 1969, fez parte da redacção da revista O Tempo e o Modo. Publicou crítica literária em jornais e revistas, designadamente na Colóquio-Letras e na Brotéria.

Só nos finais dos anos setenta é que José Bento deu a público dois livros, Sequência de Bilbau e In Memoriam, onde continua o verso livre dos seus primeiros textos mais representativos, o qual se aproxima, pela amplidão e pela disciplina a que se sujeita, do versículo bíblico. Cruza-se, assim, a sua poesia, cujo carácter meditativo ou religioso num sentido amplo está em perfeita consonância com o verso escolhido, por via do discursivismo em que inequivocamente aposta, com a que, na década de setenta, procura alternativas válidas para a tendência antidiscursivista dominante nos anos sessenta. A sua atividade de tradutor de poesia em língua castelhana toca a sua própria produção poética, pelo trato íntimo que essa atividade proporciona: por vezes a intertextualidade com os poetas que traduz é visível na sua poesia.[ler mais]

 

José Bento distinguido com Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2013

 

O tradutor português José Bento foi distinguido com o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2013 pelo livro "Sítios", editado pela editora Assírio & Alvim, revelou a Fundação Luís Miguel Nava.

O prémio, de cinco mil euros, é atribuído com periodicidade bienal e José Bento sucede a Hélder Moura Pereira, vencedor em 2011, com a obra "Se as coisas não fossem o que são".

Instituído pela Fundação Luís Miguel Nava desde 1997, por vontade expressa em testamento do poeta e ensaísta português, falecido em 1995, o galardão teve periodicidade anual até 2009, tendo sido Sofia de Mello Breyner Andresen a primeira vencedora com a obra “O búzio de cós”.

Fernando Echevarría, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Manuel António Pina, Luís Quintais, António Ramos Rosa, Pedro Tamen e A. M. Pires Cabral e Helder Moura Pereira foram os outros contemplados com o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava.

O júri deste ano foi constituído, como habitualmente, por quatro membros da direção da Fundação Luís Miguel Nava - Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Luís Quintais - e por um elemento convidado, o poeta e ensaísta Fernando J. B. Martinho. [ionline.pt]

 

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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013
Autor da semana: Maria Velho da Costa

Maria Velho da Costa, nasceu a 26 de junho de 1938.

Prémio Camões em 2002, Maria Velho da Costa licenciou-se em Filologia Germânica, foi professora no ensino secundário e membro da direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Tem o Curso de Grupo-Análise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Foi membro da Direcção e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, de 1973 a 1978. Foi leitora do Departamento de Português e Brasileiro do King's College - Universidade de Londres, entre 1980 e 1987. [ler mais]

  

 

 

Prémio da APE a Maria Velho da Costa consagra uma obra que revolucionou a ficção portuguesa

Autora de Maina Mendes, Missa in Albis e Myra já tinha recebido o prémio Camões em 2002 e é consensualmente reconhecida como uma das mais inovadoras ficcionistas portuguesas.

 

O prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), no valor de 25 mil euros, foi atribuído à romancista Maria Velho da Costa. A decisão foi unânime e o presidente da APE, José Manuel Mendes, justificou a escolha sublinhando a “criatividade da escritora”, o seu “percurso pessoal e literário”, e ainda o modo inventivo como a autora, que já recebera em 2002 o prémio Camões, trabalha a língua portuguesa.

Nascida em Lisboa em 1938, Maria Velho da Costa estreou-se em 1966 com O Lugar Comum, é co-autora das célebres Novas Cartas Portuguesas (1972) e escreveu alguns dos mais significativos romances da ficção portuguesa posterior ao 25 de Abril, como Casas Pardas (1977), Missa in Albis (1988) ou o mais recente Myra (2008), que venceu os prémios PEN, Máxima, Correntes d’Escrita e DST. A sua obra, que vem sendo traduzida desde os anos 70 nas principais línguas europeias, revolucionou como poucas o romance em língua portuguesa.

Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa, Maria Velho da Costa tem ainda o Curso de Grupo-Análise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Foi professora no ensino secundário, funcionária do Instituto de Investigação Industrial, adjunta do Secretário de Estado da Cultura em 1979, no breve governo de Lurdes Pintasilgo, leitora de português no Kings College, Londres, na década de 80, adida cultural em Cabo Verde de 1988 a 1991, e desempenhou ainda várias outras funções públicas de carácter cultural, designadamente na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e no Instituto Camões. Entre 1973 e 1978, presidiu à direcção da APE.

Após o livro de contos O Lugar Comum, publicou em 1969 o seu romance de estreia, Maina Mendes, cujo experimentalismo narrativo e linguístico revolucionou a ficção portuguesa nesses anos que antecederam a queda do regime. E Novas Cartas Portuguesas (1972), a obra que escreveu com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta, pode mesmo ter contribuído, se não para acelerar o fim da ditadura, pelo menos para comprometer ainda mais a sua imagem no exterior, já que o processo judicial que o regime moveu contra as “três Marias” teve grande repercussão internacional.

Quando a romancista ganhou o prémio Camões, em 2002, o júri salientou, a par da “inovação no domínio da construção romanesca” e do “experimentalismo sobre a linguagem”, a “interrogação do poder fundador da fala”, uma indagação que é já central em Maina Mendes, cuja personagem principal é uma mulher que perdeu a sua reprimida fala feminina para, nas palavras de Eduardo Lourenço, “inventar a fala, nem masculina, nem feminina, apenas autónoma e soberana, de que os homens usufruem sem riscos e desde sempre, por ‘direito divino’”.

Ainda antes do 25 de Abril, Maria Velho da Costa publica o ensaio Ensino Primário e Ideologia(1972) e Desescrita (1973), uma recolha de crónicas de imprensa.

Em 1976, edita um livro de textos de difícil categorização, Cravo, e no ano seguinte publica o ensaio Português; Trabalhador; Doente Mental e aquele que é reconhecidamente um dos mais originais romances portugueses contemporâneos, Casas Pardas, um livro que evoca os tempos anteriores e imediatamente posteriores à revolução de 1974 através da voz de várias protagonistas, cujos testemunhos são apresentados num registo próximo do do monólogo dramático.

Seguem-se dois livros de poesia em prosa – Da Rosa Fixa (1978) e Corpo Verde (1979) – e, já nos anos 80, a autora publica dois títulos centrais na sua obra ficcional, Lúcialima (1983) e Missa in Albis. Este último, cujo título evoca a missa do segundo domingo de Páscoa, tradicionalmente ligada à admissão na igreja dos recém-baptizados, tem como protagonista uma mulher oriunda de uma influente família ligada ao regime do Estado Novo, Sara, em cujo trajecto talvez possa ver-se uma metáfora do país.  

A apropriação de outros textos como desencadeadores da sua própria escrita é uma constante na obra de Velho da Costa, que mantém um diálogo particularmente recorrente e profundo com Luís de Camões. Neste mesmo Miss in Albis, uma célebre advertência do poeta é assim transformada: “Confundir é a regra que convém, segundo o entendimento que tiverdes”.

Entre as obras mais recentes de Maria Velho da Costa contam-se o volume de contos Dores (1994), a peça Madame (2000), sobre textos de Eça de Queirós e Machado de Assis, o romance Irene ou o Contrato Social (2001), vencedor do Grande Prémio da APE, que transforma em personagem a escritora Irene Lisboa, o livro de contos O Amante do Crato (2002), O Livro do Meio (2006), um diálogo com Armando Silva Carvalho, e o seu último e notável romance, Myra (2008).

O prémio Vida Literária foi atribuído pela primeira vez em 1992, a Miguel Torga, e conta, desde a sua criação, com o patrocínio exclusivo da Caixa Geral de Depósitos. Com periodicidade irregular, contemplou já os ficcionistas, poetas e ensaístas José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Cesariny, Vítor Aguiar e Silva, Maria Helena Rocha Pereira e João Rui de Sousa. Maria Velho da Costa é a 12.ª premiada. A sua obra, diz José Manuel Mendes, "revela um poder de criatividade e inovação porventura incomparáveis". 
 
"Camões é um culto"
Sendo mais um prémio a uma autora habituada a ver-se premiada desde os anos 70, quando o romance Casas Pardas obteve o prémio Cidade de Lisboa e o Prémio Nacional de Novelística, esta consagração da APE tem, ainda assim, um significado particular para Maria Velho da Costa, dada a sua “ligação muito antiga” à associação, disse a romancista ao PÚBLICO. Tendo presidido à direcção da APE ainda antes do 25 de Abril, e também depois da queda do regime, até 1978, a escritora lembra que foi sob a sua presidência que se organizou o primeiro Congresso de Escritores Portugueses, em Maio de 1975. “O vice-presidente era o Ernesto Melo e Castro, que fez um grande trabalho, e essa direcção incluía escritores que infelizmente já morreram, e que eram amigos meus, como Orlando da Costa ou José Saramago”.  

O PÚBLICO quis saber se, à distância de quase 45 anos, não lhe parecia hoje estranho que aos trinta pudesse ter escrito um primeiro romance tão forte e tão inovador como Maina Mendes, mas o elogio em causa própria não faz o género de Maria Velho da Costa, que replica logo que “a Agustina começou mais cedo”, e que o que recorda da época em que escreveu o seu romance de estreia é que se sentia “muitíssimo insegura”. E adianta que muitos escritores a influenciaram, mas exclui Camões desse rol, porque “esse não é uma influência, é um culto”.

Aos leitores que ainda esperam que se tenha precipitado quando manifestou a convicção de que Myra seria o seu último romance, não oferece grandes esperanças: “É o que eu acho, mas pode-se sempre ter um acesso de demência senil e escrever-se o que não se deve”. Para já, garante que não está a escrever nenhum novo livro nem sente a tentação de o fazer. “Consigo não escrever com a maior das facilidades”.

Também não parece ter mudado de ideias na intenção de deixar os seus diários para publicação póstuma, mas não se mostra absolutamente peremptória: “É muito pouco provável que os publique em vida… teria que fazer uma tal triagem de materiais…”. [publico.pt]

 

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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013
Autor da semana: Hannah Arendt

 

Hannah Arendt (nascida Johanna Arendt; Linden, Hanôver, Alemanha, 14 de outubro de 1906 – Nova Iorque, Estados Unidos, 4 de dezembro de 1975) foi uma filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX.

A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933, assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na decidir emigrar. O regime nazista retirou-lhe a nacionalidade em 1937, o que a tornou apátrida até conseguir a nacionalidade estadunidense em 1951.

Trabalhou, entre outras atividades, como jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre filosofia política. Contudo, recusava ser classificada como "filósofa" e também se distanciava do termo "filosofia política"; preferia que suas publicações fossem classificadas dentro da "teoria política". [ler mais]

 

“Hannah Arendt” na biblioteca municipal

 

 

No âmbito da programação do Cineclube da Feira será exibido, na biblioteca municipal, a 15 de dezembro, pelas 21h30, o filme "Hannah Arendt" de Margarethe von Trotta.
 

Sinopse:
Hannah Arendt (1906-1975), filósofa e jornalista judia, exilou-se nos EUA em 1941, após a fuga do campo de concentração de Gurs, durante os anos negros da Segunda Grande Guerra. Em 1951, obteve cidadania norte-americana e nesse mesmo ano foi publicado o seu livro "As Origens do Totalitarismo". Esta obra tornou-se um clássico dentro da comunidade intelectual e lançou a sua carreira nos Estados Unidos. Em 1961, deslocou-se a Jerusalém para cobrir o julgamento do criminoso de guerra nazi Adolf Eichmann para a revista "The New Yorker" e o seu artigo, publicado em cinco partes, teve um enorme impacto mediático. As suas ideias foram alvo de críticas violentíssimas quer pela descrição dos conselhos judaicos, quer pela exposição da personalidade de Eichmann. Porém, a obra seguinte, "Eichmann em Jerusalém: Uma reportagem sobre a banalidade do mal", alcançou um lugar de destaque e grande respeito, ainda que sempre controverso, na maior parte dos debates acerca do Holocausto. Esse livro é hoje tido como uma das suas obras mais importantes.Este filme, realizado por Margarethe von Trotta ("A Honra Perdida de Katharina Blum") é o retrato de um génio incompreendido, de alguém que se atreveu a fazer uma reflexão sobre o Holocausto de um modo absolutamente inovador e que, mesmo sob duras críticas, se manteve fiel às suas convicções. [cinecartaz.publico.pt]

 

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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013
Autor da semana: Alexandra Lucas Coelho

 

Alexandra Lucas Coelho nasceu em Dezembro de 1967. Estudou teatro no I.F.I.C.T. e licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou dez anos na rádio continuando ainda hoje a colaborar com a RDP. Desde 1998 é jornalista no Público. A partir de 2001 viajou várias vezes pelo Médio Oriente / Ásia Central e esteve seis meses em Jerusalém como correspondente. Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005. [ler mais]

 

Alexandra Lucas Coelho vence Grande Prémio de Romance da APE

 

 

E a Noite Roda foi escolhido por unanimidade ao fim de três reuniões do júri.

O romance E a Noite Roda de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China) é o vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) relativo a 2012. O prémio, que tem o valor de 15 mil euros e é co-promovido pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, foi atribuído por unanimidade.

José Correia Tavares, Ana Marques Gastão, Clara Rocha, Isabel Cristina Rodrigues, Luís Mourão e Manuel Gusmão compuseram o júri, que já se reunira por duas vezes antes de tomar uma decisão final, esta segunda-feira.

E a Noite Roda, história de amor entre uma jornalista catalã – Ana Blau, a narradora – e um jornalista belga, batia-se com mais cinco finalistas:O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, de Mário de Carvalho, Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz, A Rapariga Sem Carne, de Jaime Rocha, e O Banquete, de Patrícia Portela.

“Se já tinha ficado muito surpreendida por ter sido nomeada”, disse a autora ao PÚBLICO, “fiquei completamente abismada quando soube que tinha ganho”. E acrescenta que se sente “muito honrada” não apenas por admirar “todos os escritores que já o receberam”, mas também os que integraram este júri, e ainda os autores cujos livros concorriam directamente com o seu. “Admiro-os muito a todos e gostava de partilhar de alguma forma o prémio com eles”.

Alexandra Lucas Coelho explica que deixou os quadros do PÚBLICO no início deste ano, onde se mantém como cronista e colaboradora, e que quis “fazer uma opção de vida que passava por tentar escrever livros”. Daí que este prémio não pudesse ter chegado em melhor hora. “É um enorme incentivo para mim, e em particular para o romance que estou agora a escrever, que se chamará Deus Dará e que irá situar-se inteiramente no Rio de Janeiro.

A repórter e romancista fez ainda questão de agradecer à sua editora, a Tinta-da China, e em especial a Bárbara Bulhosa, a primeira pessoa a quem deu a ler o livro. “A Tinta-da-China é a minha casa e fico muito contente que com este livro tenha recebido o seu primeiro prémio na ficção”, disse Lucas Coelho, que já tinha publicado na mesma chancela vários livros de reportagem e de viagens: Caderno Afegão (2009),Viva México (2010), Tahrir! (2011) e, já este ano, Vai, Brasil. A estes títulos soma-se ainda o seu livro de estreia,Oriente Próximo, que saiu em 2007 na Relógio D’Água.

Licenciadaem Comunicação Socialpela Universidade Nova de Lisboa e várias vezes premiada enquanto repórter – recebeu designadamente o Grande Prémio Gazeta, em 2005 –, Alexandra Lucas Coelho disse à Lusa, por ocasião do lançamento deste livro, que “o que diferencia o jornalismo da literatura, é a possibilidade de fazer com os materiais tudo o que quiser”, mas que o que continua a movê-la é o mesmo interesse pelo real que a levou ao jornalismo.

E a Noite Roda ganhou a 31.ª edição do Grande Prémio de Romance e Novela da APE, que já distinguiu autores como Vergílio Ferreira, José Saramago, Agustina Bessa-Luís ou António Lobo Antunes, e que cujo vencedor mais recente fora Ana Teresa Pereira com O Lago.[publico.pt]

 



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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013
Autor da semana: Doris Lessing

 

Doris Lessing, nascida Doris May Tayler (Kermanshah, 22 de outubro de 1919  — Londres, 17 de novembro de 2013), foi uma escritora britânica.

Autora de obra prolífica, que inclui trabalhos como as novelas The Grass is Singing e The Golden Notebook. A sua obra cobre um vasto leque estilístico, indo da autobiografia à ficção científica, com claras influências do modernismo. Foi galardoada com o Nobel de Literatura de 2007, tendo a Academia Sueca apontado como razão determinante a existência na sua obra de características que fazem dela "a contadora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida". Doris Lessing é a 11.ª mulher a ganhar este galardão nos seus 89 anos de história e a pessoa mais idosa que jamais o recebeu. [ler mais]

 

 

Doris Lessing "foi uma das grandes vozes literárias do século XX"

 

A escritora britânica Doris Lessing, prémio Nobel da Literatura em 2007, que hoje faleceu, aos 94 anos de idade, "foi uma das grandes vozes literárias do século XX", na opinião das escritoras Maria Teresa Horta e Lídia Jorge.

O agente da autora, Jonathan Clowes, citado pelas agências internacionais, anunciou a morte da escritora, em casa, durante a manhã de hoje.

Nascida a 22 de outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia, atualmente Irão, Doris Lessing é autora de uma obra vasta e diversificada com cerca de 50 títulos e ficou conhecida pela militância de esquerda e pelas suas posições anti-apartheid, anticolonialistas e feministas.

Contactada pela agência Lusa, a escritora portuguesa Maria Teresa Horta lamentou o desaparecimento de Doris Lessing: "Quando um escritor morre é sempre uma grande perda, mas sobretudo ela, que era uma das grandes vozes literárias do século XX e até do século XXI".

"Ela é uma referência para mim, não só pela escrita, mas também por razões pessoais", indicou, recordando episódios ocorridos nos anos 1970, no regime salazarista, quando foi insultada e agredida na rua por ter participado no movimento feminista em Portugal.

"Doris Lessing deu-me forças para continuar", disse Maria Teresa Horta, que viria depois a publicar, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, o livro "Novas Cartas Portuguesas", que, na época, gerou forte impacto e contestação no país.

Em 2007, Doris Lessing, então com 87 anos, foi reconhecida com o Nobel da Literatura, tendo sido a mulher mais velha de sempre a receber tal galardão.

Na altura, a escritora foi descrita pela academia Nobel como "um exemplar de experiência feminina que, com ceticismo, fogo e poder visionário, sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio".

A escritora tem várias obras publicadas em Portugal, entre as quais "Amar de novo" (1997) e os dois volumes de "Os diários de Jane Somers" (1990).

A obra "Gatos e mais Gatos" (1995) e o "Caderno Dourado" (1962) também foram publicados em Portugal.

Maria Teresa Horta destacou que Lessing "escreveu até ao fim" e que a obra e o imaginário de Lessing "vão permanecer e continuar a ser lidos por muitas pessoas".

A mesma opinião é partilhada pela escritora Lídia Jorge, que considera Doris Lessing "uma memória do século XX, conseguindo fazer um apanhado da relação entre a Europa e o resto do mundo".

Em declarações à Lusa, recordou que, com surpresa e curiosidade, encontrou referências ao papel dos portugueses nesta biografia europeia.

Apontou o "Caderno Dourado" como a obra de Lessing que a tocou particularmente, "por quebrar tabus e lutar pela afirmação das mulheres de forma muito independente".

"Tudo o que li dela era marcado pela vida. Ela escreveu de forma pungente", salientou Lídia Jorge.

Filha de pais britânicos, um antigo oficial do exército britânico e uma enfermeira, Doris Lessing cresceu na Rodésia (atual Zimbabué), onde a família se instalou numa quinta quando tinha cinco anos, tendo este período marcado algumas das suas obras.

Foi impiedosa nas críticas aos governos da África do Sul e do Zimbabué, tendo sido proibida de entrar nos dois países. A interdição na África do Sul durou entre 1956 e 1995. [rtp.pt]

 

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Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013
Autor da semana: Don DeLillo

 

Don DeLillo nasceu em 1936, em Nova Iorque. É autor de vários romances e peças de teatro. Foi galardoado com o National Book Award, o PEN/Faulkner Award e o Jerusalem Prize. Submundo foi finalista dos prémios Pulitzer e do National Book Award e recebeu em 2000 a Medalha Howells da American Academy of Arts and Letters pela mais eminente obra de ficção dos últimos cinco anos; em 2006, foi considerado um dos três melhores romances dos últimos vinte e cinco anos pela New York Times Book Review. [wook.pt]

 

Don DeLillo ainda se inquieta com aquela manhã em Dallas

 

 

Durante os três anos que demorou a escrever Libra, a biografia ficcionada de Lee Harvey Oswald, Don DeLillo teve uma fotografia do assassino de John F. Kennedy a segurar numa espingarda em cima da secretária - a mesma que figura na capa da primeira edição norte-americana, de 1988. Quando terminou o romance, a moldura caiu ao chão, naquilo que o autor descreveu como uma "anti-epifania".

Na conversa que teve anteontem em Lisboa, DeLillo não revelou se acredita ou não se Oswald terá sido mesmo o autor do disparo mortal, se terá havido um segundo (ou terceiro) assassino ou qual é a sua conspiração favorita. Ficou-se pela imaginação.

Em Lisboa para integrar o júri do Lisbon & Estoril Film Festival, DeLillo aproveitou para apresentar a edição portuguesa de Libra (Sextante Editora), quando se assinalam 50 anos daquela manhã de 22 de Novembro em Dallas, em que "tudo pareceu parar". Foi um homem reservado, de expressão iminentemente séria ("Só sorrio quando estou sozinho", chegou a dizer ao New York Times), como é habitualmente definido, que subiu ao palco do Cinema Nimas e leu passagens de Submundo (1997, Sextante Editora), enquanto, na tela, corriam as imagens infames capturadas pela câmara Bell&Howell de Abraham Zapruder.

Os fotogramas sucedem-se, voltando atrás, repetindo, ampliando, sempre sem som, como que a acentuar a crueza do cenário. Ao mesmo tempo, DeLillo lia pausadamente a passagem em que duas personagens se encontram para assistir a uma projecção ilegal do filme de Zapruder, num armazém de Nova Iorque nos anos 1970. Quando termina a leitura, o filme ainda corre por alguns minutos, agora sim, num silêncio sepulcral. DeLillo fica a olhar para as imagens, "tão perfeitas a ser aquilo que são", esmagado pela grandeza que a tela lhes confere.

No dia do homicídio de Kennedy, DeLillo tinha acabado de fazer 27 anos - nasceu a 20 de Novembro - e soube de imediato que "algo sério e importante acabara". "De repente tínhamos um presidente fotogénico e popular e em segundos estava morto", contou, durante a conversa que teve com o seu tradutor Paulo Faria (autor da entrevista ao suplemento Ípsilon que será publicada amanhã), depois da exibição do filme de Zapruder. Aqueles segundos, frios e cruéis como bem mostram os fotogramas, lançaram "uma nuvem de paranóia sobre o país". DeLillo relembra que dias depois da morte de Kennedy teve de apanhar um avião. Quando já se encontrava no aparelho, começou a sair fumo do motor, ao que o piloto bradou sem hesitar: "Este avião não vai para lado nenhum hoje!" "Parecia estar em todo o lado", observou DeLillo.

Ainda longe de iniciar a sua carreira literária, DeLillo consegue reconhecer a importância que a morte de Kennedy teve para a sua obra, apesar de só dali a 25 anos vir a escrever Libra. "Não acho que os meus livros pudessem ter sido escritos no mundo que existia antes do assassinato de Kennedy", revelou em 1991 numa entrevista ao New York Times. "E penso que alguma da escuridão do meu trabalho é um resultado directo da confusão e do caos psíquico e do sentimento de aleatoriedade que se seguiram àquele momento em Dallas. É possível que tudo isto tenha feito de mim o escritor que sou, para melhor ou para pior."

Libra - título inspirado no signo astrológico de Oswald -começou a ganhar forma na cabeça de DeLillo quando descobriu que Lee Harvey Oswald chegou a morar a alguns quarteirões da sua própria casa, no Bronx. "Pensei se não o teria já visto alguma vez", conta. Estabeleceu-se então uma estranha empatia entre o escritor e a personagem ficcionada. DeLillo insiste que o livro é ficção e que não pretende apresentar factos ou responder às grandes questões levantadas pelas várias teorias da conspiração. É óbvio que o autor teve de se munir de material factual para a construção da vida de Oswald. Esteve várias vezes em Dallas, fez o percurso entre Dealey Plaza e o local de onde o assassino terá disparado e consultou o relatório da Comissão Warren, encarregada de investigar o homicídio. Mas é com uma desarmante honestidade que admite a sua ignorância sobre o assunto: "O Paulo [Faria] sabe mais do assassinato do que eu!"

No fundo, DeLillo é mais um entre os milhões de americanos para quem a explicação oficial - a de que Lee Harvey Oswald foi o lonely gunman, o assassino solitário, que matou o presidente Kennedy - não é suficiente. A forma que encontrou para expressar a sua inquietação foi aquela que melhor conhece e que revela na primeira frase da "Nota de Autor", presente no final da edição norte-americana de Libra: "Este é um trabalho da imaginação." [publico.pt]

 

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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2013
Autor da semana: Pierre Lemaître

 

 

Pierre Lemaître nasceu em Paris. Foigalardoado com o Prémio Le Point do Romance Policial Europeu em 2010. Os seus romances foram várias vezes premiados e estão traduzidos em treze línguas. Três deles estão a ser adaptados ao cinema: Robe de mariéeCadres noirs e Alex. [wook.pt]

 

 

  

Pierre Lemaitre vence prémio Goncourt

 

Au revoir là-haut, um romance histórico situado na primeira guerra mundial, convenceu o júri do mais prestigiado prémio literário francês, mas só à 12ª ronda.

O prémio Goncourt foi atribuído esta segunda-feira ao romance Au revoir là-haut , de Pierre Lemaitre, um autor de 62 anos com prestígio consolidado no domínio da ficção policial.

Nesta sua primeira incursão no romance histórico, Lemaitre situou a acção na primeira guerra mundial e escolheu como protagonistas dois jovens soldados, Albert e Édouard, sacrificados por um oficial ambicioso e cínico.

Criado há 110 anos, em1903, aactual dotação pecuniária do Goncourt não é propriamente exorbitante : o vencedor recebe apenas uma nota de dez euros. Mas o prestígio do prémio tem uma influência considerável nas vendas dos livros. Os premiados dos últimos anos têm vendido uma média de 400 mil exemplares, cerca de cinquenta vezes a tiragem média de um romance em França.

O júri, presidido por Edmonde Charles-Roux,preferiu Au revoir là-haut aos três restantes finalistas desta edição de 2013: Nue, de Jean-Philippe Toussaint, L'invention de nos vies, de Karine Tuil, e Arden, primeiro romance de Frédéric Verger. E o rival mais difícil de bater foi mesmo o estreante : só à 12ª votação é que o desempate se desfez e o livro de Lemaitre ganhou, com seis votos contra quatro.

Antes de se abalançar a escrever esta extensa ficção histórica – editado pela Albin Michel, o livro tem quase 600 páginas –, Pierre Lemaitre, admirador confesso de Alexandre Dumas, era já autor de vários romances policiais, traduzidos em mais de vinte países. [publico.pt]

 

  

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013
Autor da semana: João Bouza da Costa

 

João Bouza da Costa nasceu em Lisboa (1954) e passou a infância em África (Luanda). Tem levado uma vida anticíclica, sempre a fugir dos acontecimentos históricos: deixou Angola quando nesta se iniciava a gesta independentista (1963), abandonou Portugal logo após a revolução de Abril (em setembro de 74) e escapou da Alemanha em 89, pouco antes do grande êxtase coletivo da queda do Muro. [ler mais]

 

«Travessa d’Abençoada» de João Bouza da Costa vence Prémio P.E.N. de Narrativa

 

O romance de estreia de João Bouza da Costa, «Travessa d’Abençoada», editado pela Sextante, venceu o Prémio P.E.N. de Narrativa para o ano de 2012.

A sinopse de «Travessa d’Abençoada» é a seguinte:

«Uma criança autista escuta os sons de dois corpos entregues ao sexo e convoca os seus deuses contra a derrocada do tempo. Um tradutor apropria-se, coxeando, da sua cidade, enquanto a música inunda a noite e a sua mulher se debate com a memória. Um velho preso no labirinto da raiva enfrenta a morte caído numas escadas. Pessoas de uma pequena travessa de Lisboa, vinte e quatro horas da vida no mundo» [diariodigital.pt]

 

 

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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013
Autor da semana: Agustina Bessa Luís

 

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, em1922. A família do seu pai era do Norte do país e a sua mãe era espanhola. 

Viveu durante a infância e adolescência na região de Entre-Douro e Minho e depois em Coimbra até 1948. Casou em 1945 com Alberto de Oliveira Luís. A partir de 1948 fixou residência no Porto. [ler mais]

 

 

  

Textos inéditos de Agustina Bessa-Luís vão ser publicados

 

Material literário inédito de Agustina Bessa-Luís, como contos, pensamentos, reflexões e pequenos textos, constitui o livro "Caderno de Significados", que é publicado na próxima semana.

Este é o terceiro livro de inéditos de Agustina Bessa-Luís, desde que a escritora se retirou da vida pública, depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral, após a edição de "A Ronda da Noite".

Em relação a "Caderno de Significados", Mónica Baldaque, filha da escritora e coordenadora da edição, afirmou à Lusa que inclui "contos inesperados, perfeitamente fora da estrutura de escrita habitual de Bessa-Luís", nomeadamente um, intitulado "Os dois amigos", redigido "em forma de cantilena".

"Caderno de Significados", publicado pela Guimarães Editores, casa que sempre editou a obra de Agustina Bessa-Luís, tem seleção, organização e fixação de texto de Alberto Luís e Lourença Baldaque, respetivamente marido e neta da escritora.

A coleção de inéditos da autora de "A Sibila" começou em fevereiro passado, com "Kafkiana", um conjunto de quatro ensaios sobre Franz Kafka, e o segundo título, "Cividade", um conto que, até à data, era inédito.

Há ainda outros inéditos para editar, nomeadamente alguns romances, que serão publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian, precedidos de um estudo de Silvina Rodrigues Lopes, especialista da obra de Agustina Bessa-Luís. [dn.pt]

 

 

  

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Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013
Autor da semana: Eleanor Catton

 

Eleanor Catton, nasceu 24 de Setembro de 1985, na Nova Zelândia. [ler mais]

 

 

Neozelandesa Eleanor Catton ganhou o Man Booker Prize aos 28 anos

 

A escritora neozelandesa Eleanor Catton tornou-se nesta terça-feira, aos 28 anos, a distinguida mais nova com o Man Booker Prize, o galardão literário mais prestigiado do Reino Unido, com a sua novela The Luminaries.

O romance é centrado na figura do aventureiro Walter Moody e tem por pano de fundo a corrida ao ouro na Nova Zelândia em meados do século XIX.

O presidente do júri, Robert Macfarlane, descreveu o livro, de 832 páginas, o mais longo dos que já ganharam o prémio, como “deslumbrante”.

Catton tinha 25 anos quando começou a escrever o livro e 27 quando o terminou.

A duquesa da Cornualha, mulher do Príncipe Carlos, entregou à autora o prémio de 50 mil libras (60 mil euros), que é considerado a maior honra literária britânica. [publico.pt]



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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013
Autor da semana: Alice Munro

 

Alice Ann Munro, apelido de solteira LaidlawHue hue (Wingham, Ontário, 10 de julho de 1931) é uma escritora canadiana de contos, considerada uma das principais escritoras da atualidade em língua inglesa. Foi galardoada com o prémio nobel da literatura em 2013. [ler mais]

 

 

Um Nobel para Alice Munro é um Nobel para o conto

 

Contista canadiana, a quem chamam o Tchekov dos nossos dias, venceu o Nobel da Literatura. Japonês Haruki Murakami e bielorrussa Svetlana Alexievich terão de aguardar pela próxima oportunidade.

Nascida na província canadiana de Ontário em1931, aescritora Alice Munro venceu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela Academia Sueca, que nela reconheceu um “mestre do conto contemporâneo”. Munro recebera já alguns dos mais importantes prémios literários, incluindo, em 2009, o prestigiado Man Booker International Prize, e era há muito uma candidata recorrente ao Nobel da Literatura.

Mas quando o secretário permanente da Academia Sueca, Peter Englund, se dirigiu aos jornalistas para anunciar o Nobel da Literatura de 2013, o nome de que se falava era o da jornalista de investigação e prosadora bielorrussa Svetlana Alexievich, que tinha acabado de ultrapassar o japonês Haruki Murakami nas cotações das casas de apostas.

Quando recebeu o Man Booker International Prize, o júri justificou a escolha afirmando que a autora, “embora seja essencialmente conhecida como contista, mostra a profundidade, sabedoria e precisão que a maior parte dos ficcionistas só consegue alcançar numa vida inteira a escrever romances”. Foi Cynthia Ozick, ela própria uma talentosa contista, que, reconhecendo a consumada mestria de Munro na história breve, lhe chamou há alguns anos o Tchekov do nosso tempo, uma aproximação que, desde então, muitos críticos têm glosado.

Tal como nos contos do mestre russo, o enredo é relativamente secundário nas histórias desta canadiana, povoadas de personagens e assuntos triviais, e cuja força está muitas vezes no súbito impacto de um momento iluminante e revelador. Quase todos os seus contos têm como cenário a região sudoeste da província canadiana de Ontário, o que tem levado a que seja comparada a outros ficcionistas cujas obras se centram na vida de pequenas cidades, como Sherwood Anderson, Flannery O'Connor ou Carson McCullers.

A notícia do Nobel chegou ao Canadá de noite, quando Munro dormia. A autora contou à televisão canadiana CBC que foi acordada pela filha: “Sabia que era uma das candidatas, mas nunca pensei que fosse ganhar.”

Munro disse ainda que ganhar o prémio é “formidável” e mostrou-se feliz por o mundo descobrir a sua escrita.

Nascida numa família de criadores de raposas, Alice Munro começou a escrever na adolescência, tendo publicado o seu primeiro conto, The Dimensions of a Shadow, em 1950, quando frequentava a universidade. Ao mesmo tempo, ia ganhando dinheiro em empregos ocasionais, trabalhando em restaurantes, na apanha de tabaco, ou como bibliotecária.

A sua primeira colectânea de histórias, Dance of the Happy Shades, saiu em 1968 e foi um sucesso imediato, tendo ganho o mais importante prémio literário canadiano e recebido o elogio unânime da crítica. O livro seguinte,Lives of Girls and Women (1971), é ainda hoje o seu único romance, e não falta quem ache que se trata, na verdade, de uma sucessão de contos articulados entre si.

Munro publicou mais de uma dúzia de colectâneas de histórias curtas, muitas delas editadas em Portugal pela editora Relógio d’Água, incluindo a mais recente, Amada Vida (Dear Life, 2012), traduzida pelo poeta José Miguel Silva.

Outros livros de Monro disponíveis em edição portuguesa são O Progresso do Amor (The Progress of Love, 1986), O Amor de Uma Boa Mulher (The Love of a Good Woman, 1998), Fugas (Runaway, 2004), A Vista de Castle Rock(The View from Castle Rock, 2006) e Demasiada Felicidade (Too Much Happiness, 2009). [publico.pt]

  

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Domingo, 6 de Outubro de 2013
Autor da semana: Tom Clancy

 

Thomas Leo "Tom" Clancy Jr. (Condado de Baltimore, 12 de abril de 1947 — Baltimore, 1 de outubro de 2013) foi um escritor americano. Ficou conhecido por seus thrillers políticos, e mais tarde adaptações de seus livros para os videojogos, dos quais os mais conhecidos são Rainbow Six e Splinter Cell. [ler mais]

 

Tom Clancy – Mestre da literatura de espionagem

 

O autor de romances de espionagem Tom Clancy morreu na terça-feira, aos 66 anos, num hospital de Baltimore. A confirmação foi dada ao The New York Times pelo seu editor. Ainda não se sabe a causa da morte.

É o criador do consultor e antigo agente da CIA Jack Ryan que chega à presidência dos Estados Unidos. Foi o criador do género techno-thriller. Os seus romances, que são muito documentados tecnologicamente, abordaram temas como o terrorismo nuclear, a guerra bacteriológica, a espionagem industrial ou entre Estados. Vários dos seus livros chegaram ao primeiro lugar do top dos livros mais vendidos nos EUA e foram adaptados ao cinema, entre eles A Caça ao Outubro Vermelho (Publicações Europa-América), Jogos de Poder, Perigo Imediato e A Soma de Todos os Medos.

Os seus romances também serviram de base para videojogos (A Caça ao Outubro Vermelho, Red Storm Rising, Rainbow Six, Splinter Cell). Em 1990, Clancy fundou a Red Storm Entertainment, que desenvolveu videojogos a partir das suas ideias e mais tarde foi comprada pela Ubisoft.

Em 2007, lembra a BBC no seu obituário online, Tom Clancy disse numa entrevista que deu a uma cadeia de televisão norte-americana que o seu sucesso como romancista lhe vinha da sua persistência e da investigação aprofundada que fazia para escrever os seus livros. Tinha, aliás, uma teoria : “Aprendemos a escrever como aprendemos a jogar golfe. Jogamos e continuamos a jogar até acertar [no buraco]. Muitas pessoas acreditam que alguma de coisa de místico nos acontece, que a musa nos beija o ouvido. Mas escrever não é uma inspiração divina – é fruto de muito trabalho.”

Foi a obra A Caça ao Outubro Vermelho, o seu primeiro romance que foi primeiro publicado pela Naval Institute Press antes de ser adquirido pela editora Putnam, em 1984, que o tornou conhecido. O Presidente Ronald Reagan ajudou na altura ao sucesso do livro, que vendeu mais de cinco milhões de exemplares, dizendo que era uma "narração perfeita". O romance foi adaptado ao cinema anos depois, em 1990, com Alec Baldwin a interpretar Jack Ryan, e Sean Connery na pele do capitão do submarino soviético, Marko Ramius. 

Mais tarde, a personagem de Jack Ryan foi interpretada no cinema por Harrison Ford, em Jogos de Poder e em Perigo Imediato. Em 2002, coube a Ben Affleck interpretar o agente da CIA em A Soma de Todos os Medos. Todos os filmes foram blockbusters. E em Dezembro, nos Estados Unidos estreará nos cinemas, realizado por Kenneth Branagh, Jack Ryan: Shadow One em que o actor Chris Pine interpretará o Jack Ryan em jovem, nos seus tempos de agente na CIA.

Tom Clancy nasceuem Baltimore. Licenciou-seem língua inglesa no Loyola College e foi agente de seguros antes de se tornar um escritor de best-sellers. Como não conseguiu entrar no exército por causa de problemas de visão, começou a escrever. É autor de 28 livros – incluindo o seu novo romance,Command Authority,  cuja publicação estava prevista para Dezembro nos Estados Unidos. [publico.pt]

 

 

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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013
Autor da semana: António Ramos Rosa

 

 

António Victor Ramos Rosa (Faro, 17 de Outubro de 1924 - Lisboa, 23 de Setembro de 2013), foi um poeta português e desenhador.

Ramos Rosa estudou em Faro, não tendo acabado o ensino secundário por questões de saúde. Em 1958 publica no jornal «A Voz de Loulé» o poema "Os dias, sem matéria". No mesmo ano sai o seu primeiro livro «O Grito Claro», n.º 1 da colecção de poesia «A Palavra», editada em Faro e dirigida pelo seu amigo e também poeta Casimiro de Brito. Ainda nesse ano inicia a publicação da revista «Cadernos do Meio-Dia», que em 1960 encerra a edição por ordem da polícia política. [pt.wikipedia.org]

[ler mais]

 

 

António Ramos Rosa (1924-2013), uma vida dedicada à poesia

 

Morreu esta segunda-feira em Lisboa, aos 88 anos, o poeta e ensaísta António Ramos Rosa, um dos nomes cimeiros da literatura portuguesa contemporânea, autor de quase uma centena de títulos, de O Grito Claro (1958), a sua célebre obra de estreia, até Em Torno do Imponderável, um belo livro de poemas breves publicado em 2012. Exemplo de uma entrega radical à escrita, como talvez não haja outro na poesia portuguesa contemporânea, Ramos Rosa morreu por volta das 13h30 desta segunda-feira, em consequência de uma infecção respiratória, em Lisboa, no Hospital Egas Moniz.

Além da sua vastíssima obra poética, escreveu livros de ensaios que marcaram sucessivas gerações de leitores de poesia, como Poesia, Liberdade Livre (1962) ou A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979), traduziu muitos poetas e prosadores estrangeiros, sobretudo de língua francesa, e organizou uma importante antologia de poetas portugueses contemporâneos (a quarta e última série das Líricas Portuguesas). Era ainda um dotado desenhador.

Prémio Pessoa em 1988, António Ramos Rosa, natural de Faro, recebeu ainda quase todos os mais relevantes prémios literários portugueses e vários prémios internacionais, quer como poeta, quer como tradutor.

Já muito fragilizado, o poeta, que estava hospitalizado desde quinta-feira, teve ainda forças para escrever esta manhã os nomes da sua mulher, a escritora Agripina Costa Marques, e da sua filha, Maria Filipe. E depois de Maria Filipe lhe ter sussurrado ao ouvido aquele que se tornou porventura o verso mais emblemático da sua obra — “Estou vivo e escrevo sol” —, o poeta, conta a filha, escreveu-o uma última vez, numa folha de papel.

Para Pedro Mexia, poeta e crítico, Ramos Rosa mostrou, nomeadamente através das revistas que dirigiu e da primeira fase da sua obra poética, “que era necessário superar a dicotomia fácil entre a poesia ‘social’ e a poesia ‘pura’, e que o trabalho sobre a linguagem não impedia o empenhamento cívico”. Como ensaísta, continua Mexia, Ramos Rosa esteve atento ao panorama europeu e mundial, de René Char a Roberto Juarroz, e aos autores portugueses das últimas décadas, incluindo os novos: “Descobri muitos poetas através de obras como Poesia, Liberdade Livre ou Incisões Oblíquas".

Autor "muitíssimo prolífico", "nunca se afastou do seu caminho pessoal, mesmo quando a abundância e a insistência numa 'poesia sobre a poesia' fizeram com que nos esquecêssemos da sua importância decisiva."

Uma unidade muito grande
O escritor e crítico Fernando Pinto do Amaral prefere eleger como "verdadeiramente singular"em Ramos Rosa “a atmosfera muito espacial que a sua poesia, ou melhor, os seus ciclos de poemas, são capazes de criar”. Atmosfera essa que resulta de uma “conjugação precisa de palavras”: “Isso vê-se muito bem em O Ciclo do Cavalo, de que gosto particularmente, e em Gravitações, onde se sente que há como que uma força cósmica que atrai e repele as palavras e a própria natureza”.

A ideia de respiração é, aliás, muito importante na obra deste autor, continua Pinto do Amaral, admitindo que não é fácil explicar o que dela emana, em parte porque passou por várias fases, “muito distintas”. É numa delas, mais realista, “ligada ao quotidiano e às suas burocracias”, que se insere um dos seus poemas mais conhecidos, O Boi da Paciência. “Ele, que também foi um funcionário de escritório, mostra aqui como pode ser monótona a vida e como é preciso combater a monotonia”: “Mas o homenzinho diário recomeça / no seu giro de desencontros/ A fadiga substituiu-lhe o coração”, escreve.

“Tudo está em tudo na poesia de Ramos Rosa”, “como no movimento constante de inspirar e expirar”, resume o escritor, defendendo que se trata de um poeta que precisará sempre de antologias: “Um jovem leitor que queira iniciar-se na sua poesia vai sentir-se muito facilmente perdido. Ele escreveu muito, publicou muito. Fazer antologias suas não é, no entanto, tarefa fácil, porque há uma unidade muito grande em cada livro, o que torna difícil escolher um poema em detrimento de outro”.

Obra lírica imensa
Nascido em Faro em 1924 — faria 89 anos a 17 de Outubro —, António Ramos Rosa frequentou ali o liceu, mas, por razões de saúde, não terminaria os estudos secundários. Uma escassez de estudos formais que a sua avidez de leitor não tardou a compensar largamente.

Trabalhou algum tempo como empregado de escritório — experiência que inspirou o célebre Poema de Um Funcionário Cansado, incluído no seu livro de estreia —, ao mesmo tempo que dava explicações de português, inglês e francês e traduzia autores estrangeiros, primeiro para a Europa-América e depois para outras editoras.

Envolveu-se, logo após o final da segunda guerra, na oposição ao salazarismo, militando no MUD Juvenil e participandoem manifestações. Nosanos 50 ajudou a fundar e coordenou várias revistas literárias, incluindo  Árvore,Cassiopeia e Cadernos do Meio-Dia, nas quais colaborou com textos de crítica literária e poemas.

Embora publicasse poemas em revistas desde o início dos anos 50, o seu primeiro livro só saiu em 1958, aos 34 anos. Mas a partir desta estreia algo tardia, nunca mais deixará de editar poesia a um ritmo impressionante.

Se O Grito Claro é ainda aproximável do neo-realismo, mesmo que já com tonalidades muito peculiares, a escrita de Ramos Rosa não tarda a destacar-se quer deste movimento, quer das inevitáveis influências do surrealismo, enveredando pelo caminho de uma poesia mais elementar, deliberadamente ancorada, sobretudo nos livros iniciais, numa certa rarefacção vocabular. Uma característica que, a par da própria extensão da obra, terá ajudado a gerar o equívoco de que esta seria uma poesia monocórdica. Nada mais falso. Sem detrimento da sua consistência enquanto obra, e mesmo essa talvez mais resultante da fidelidade a um percurso do que propriamente da reincidência de tópicos obsessivos (que também existe), a poesia de Ramos Rosa não só tem ciclos muito marcados como é mais variada, do ponto de vista formal e discursivo, do que se poderia pensar.

Bastante indiscutível é a importância de António Ramos Rosa, quer como poeta quer como crítico, para a evolução da poesia portuguesa (e do gosto dos respectivos leitores) ao longo dos anos 60 e no início da década seguinte. Na atenção à materialidade do texto, numa dimensão política que dispensava a explicitude do neo-realismo, no rigor construtivo, até numa certa contaminação filosófica, a poesia de Ramos Rosa tinha, nos anos 60, afinidades bastante óbvias com poetas como Carlos de Oliveira ou Gastão Cruz. No entanto, foi-se tornando nela cada vez mais insistente a procura de uma espécie de voz original que pudesse cantar o mundo ao mesmo tempo que o criava. E se durante algum tempo a sua poesia ainda inclui explicitamente, como um dos seus tópicos, o fracasso desse impossível retorno à origem, vai depois tornar-se, cada vez mais, um hino reconciliado e extasiado com a diversidade exultante do real, uma música que destaca a sensualidade das formas — de uma mulher, de uma planta, de um curso de água, do flanco de um cavalo, mas também das próprias palavras — ao mesmo tempo que ela própria contribui para erotizar o mundo. [publico.pt]

 

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Sexta-feira, 20 de Setembro de 2013
Autor da semana: David Machado

 

David Machado nasceu a 14 de Junho de 1978em Lisboa. Licenciou-seem Economia mas acabou por trocar os números pelas letras. Desde 2006 publicou oito livros, incluíndo dois romances, uma reunião de contos e cinco livros para crianças. Recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Gulbenkian e do Expresso com o conto infantil "A Noite dos Animais Inventados", e o Prémio Autor SPA/RTP na categoria de Melhor Livro Infanto-Juvenil com o conto infantil "O Tubarão na Banheira. […] [ler mais]

 

 

David Machado - O futuro está na esperança



 

Não acredita em fórmulas, muito menos em soluções milagrosas. Apenas no amanhã. E na capacidade de o Homem se adaptar, sobretudo em tempos de crise, como os que vivemos. David Machado, 35 anos, é otimista, como o protagonista do seu novo romance, Índice Médio de Felicidade. Uma poderosa e divertida descida ao inferno, ao purgatório e ao paraíso de um desempregado que sonha mudar de vida. E o mundo.[visão.sapo.pt]

 

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Sexta-feira, 13 de Setembro de 2013
Autor da semana: Valter Hugo Mãe

 

Valter Hugo Mãe nasceu em Saurimo, Angola, no ano de 1971. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Modernae Contemporânea. Vive em Vila do Conde.
Publicou cinco romances: O filho de mil homens (2011), A máquina de fazer espanhóis (2010) O apocalipse dos trabalhadores (2008), O remorso de baltazar Serapião, vencedor do Prémio José Saramago (2006) e O nosso reino(2004). 
A sua obra poética está revista e reunida no volume Contabilidade (Objectiva/Alfaguara, 2010).
É autor dos livros para os mais novos: O rosto (Agosto 2010), As mais belas coisas do mundo (Agosto 2010), A verdadeira história dos pássaros (2009) e A história do homem calado (2009).
Escreve a crónica Autobiografia imaginária no Jornal de Letras.
Valter Hugo Mãe é vocalista do grupo musical Governo e esporadicamente dedica-se às artes plásticas.
Letrista dos músicos/projectos Mundo Cão, Paulo Praça, Indignu, Salto, Frei Fado Del’Rei, Blandino e Eliana Castro.
Recebeu, em 2009, o troféu Figura do Futuro, atribuído pelo Correio da Manhã. Recebeu, em 2010, a Pena de Camilo Castelo Branco. Em 2010 recebeu a Medalha de Mérito Singular de Vila do Conde. Em 2012 recebeu o Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura. [wook.pt]

 

 

  

Valter Hugo Mãe entre finalistas do Prémio PT

 

O autor português Valter Hugo Mãe está entre os finalistas da 11.ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura, na categoria de melhor romance, anunciou hoje a curadoria do prémio,em São Paulo, no Brasil.

Vencedor no ano passado, com "A máquina de fazer espanhóis", Valter Hugo Mãe chega agora à seleção final com o livro "O filho de mil homens", editado no Brasil pela Cosac Naify. António Lobo Antunes, Lídia Jorge e o moçambicano Mia Couto, que se encontravam entre os semifinalistas anunciados no início de junho, não se classificaram para a lista final.

Os outros três finalistas da categoria romance são os brasileiros Miguel Sanches Neto, com "A máquina de madeira", Daniel Galera, com "Barba ensopada de sangue", ambos editados na Companhia das Letras, e José Luiz Passos, com "O sonâmbulo amador" (Alfaguara).

O livro de Galera foi bastante elogiado pela crítica no Brasil, e teve o seu primeiro capítulo publicado pela revista britânica de literatura "Granta", na edição de novembro de 2012, intitulada "Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros".

Na categoria poesia, os classificados são Paulo Henriques Britto, com "Formas do nada" (Companhia das Letras), Antonio Cícero, com "Porventura" (Record), Eucanaã Ferraz, com "Sentimental" (Companhia das Letras) e Angélica Freitas, com "O útero é do tamanho de um pulso" (Cosac Naify).

Os últimos quatro finalistas, na categoria conto/crónica, são os livros "A verdadeira história do alfabeto", de Noemi Jaffe (Companhia das Letras), "Essa coisa brilhante que é a chuva", de Cíntia Moscovich (Record), "O tempo em estado sólido", de Tércia Montenegro (Grua Editora), e "Páginas sem glória", de Sérgio Sant'Anna, (Companhia das Letras). [dn.pt]

 

Títulos disponíveis, deste autor, na biblioteca municipal.



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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2013
Autor da semana: Ana Maria Machado

 

Ana Maria Machado 

Na vida da escritora Ana Maria Machado, os números são sempre generosos. São 40 anos de carreira, mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 18 países somando mais de dezoito milhões de exemplares vendidos. Os prêmios conquistados ao longo da carreira de escritora também são muitos, tantos que ela já perdeu a conta. Tudo impressiona na vida dessa carioca nascida em Santa Tereza, em pleno dia 24 de dezembro.
Vivendo atualmente no Rio de Janeiro, Ana começou a carreira como pintora. Estudou no Museu de Arte Moderna e fez exposições individuais e coletivas, enquanto fazia faculdade de Letras na Universidade Federal (depois de desistir do curso de Geografia). O objetivo era ser pintora mesmo, mas depois de doze anos às voltas com tintas e telas, resolveu que era hora de parar. [ler mais]

  

Brasileira Ana Maria Machado ganha Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon

 

Nome da vencedora foi divulgado na cerimónia de abertura da 15.ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo em que participam autores portugueses. A escritora Lídia Jorge estava entre os finalistas.

A escritora brasileira Ana Maria Machado é a vencedora da 8.ª edição do Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura com o romance Infâmia. O anúncio foi feito no Brasil, na terça-feira à noite, na abertura da 15.ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo.

O prémio no valor de 150 mil reais (47 mil euros) é atribuído de dois em dois anos ao melhor romance em língua portuguesa publicado no Brasil nesse período. Atribuído pela Universidade de Passo Fundo, no estado do Rio Grande do Sul, é um dos prémios literários com mais notoriedade no Brasil, existe desde 1999 e o vencedor da última edição foi João Almino, com o romance Cidade livre.

Entre os finalistas candidatos ao prémio este ano estavam a portuguesa Lídia Jorge (A noite das mulheres cantoras, Leya) e os brasileiros Daniel Galera (Barba ensopada de sangue, Companhia das Letras); Luiz Ruffato (Domingos sem Deus, Record); Paulo Scott (Habitante irreal, Alfaguara); Alberto Martins (Lívia e o cemitério africano, editora 34); Ricardo Lísias (O céu dos suicidas, Alfaguara); Noemi Jaffe (O que os cegos estão sonhando?, editora 34); João Gilberto Noll (Solidão continental, Record) e Eliane Brum (Uma duas, Leya).

 

Ana Maria Machado nasceu em 1941 e é autora de livros para crianças e adultos. Infâmia (editado no Brasil pela Alfaguara) tem duas histórias paralelas: a de um embaixador na reforma, Manuel Serafim Soares de Vilhena, que vê a sua vida alterada depois do desaparecimento de uns documentos antigos; e de Jorge, o fisioterapeuta do embaixador. As narrativas dos dois protagonistas baseiam-se  em factos reais. Este livro já tinha estado entre os finalistas da edição do Prémio Jabuti do ano passado.

O Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon, criado pela Prefeitura Municipal de Passo Fundo, está ligado às Jornadas Literárias que se realizam há mais de 32 anos numa parceria entre a autarquia e a universidade. A 15.ª edição, coordenada pela professora Tania Rösing, tem como tema Leituras jovens do mundo e começou terça-feira à noite. Até terminar, a 31 de Agosto, vai levar a Passo Fundo 101 escritores e intelectuais de 11 nacionalidades.

Entre eles está o português José Afonso Furtado, o ex-director da Biblioteca Calouste Gulbenkian, que participa quinta-feira numa conferência a quatro vozes que tem por tema Convergência das mídias. Tem por companheiros de palco o espanhol Cesar Coll, professor de Psicologia Evolutiva e da Educação da Universidade de Barcelona; Massimo Canevacci, professor de Antropologia Cultural e de Arte e Culturas Digitais na Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Roma, e o brasileiro Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.

Paralelamente a estas jornadas decorre o 12.º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Património Cultural, ondem participam também portugueses. Albano Figueiredo, da Universidade de Coimbra, fará na sexta-feira a conferência Leituras em intercâmbio - novos (e velhos) desafios, a que se segue uma discussão que volta a contar com José Afonso Furtado, autor dos livros Uma cultura da informação para o universo digital (ed. Fundação Francisco Manuel de Melo) e Os livros e as leituras (ed. Livros e leituras). Nesse dia, Furtado vai dividir o palco com a académica brasileira especialista em literatura comparada Betina Ribeiro Rodrigues da Cunha, o romancista brasileiro e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa Miguel Sanches Neto, e o espanhol José Antonio Cordón García, da Universidade de Salamanca, numa discussão à volta do tema A leitura e os jovens, trânsitos culturais. 

Os escritores brasileiros Ignácio de Loyola Brandão, José Castello e Marcelino Freire estão entre os convidados destas jornadas. [publico.pt]

 

 

Títulos disponíveis na biblioteca municipal.



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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013
Autor da semana: Pepetela

 

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudónimo de Pepetela, (Benguela, 29 de Outubro de 1941) é um escritor angolano.

A sua obra reflete sobre a história contemporânea de Angola, e os problemas que a sociedade angolana enfrenta. Durante a longa guerra, Pepetela, angolano de ascendência portuguesa, lutou juntamente com MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) para libertação da sua terra natal. O seu romance, Mayombe, retrata as vidas e os pensamentos de um grupo de guerrilheiros durante aquela guerra. Yaka segue a vida de uma família colonial na cidade de Benguela ao longo de um século, e A Geração da Utopia mostra a desilusão existente em Angola depois da independência.  [ler mais]

 

Novo livro de Pepetela é publicado a 10 de Setembro


 

O novo romance de Pepetela, "O Tímido e as Mulheres", é publicado no dia 10 de Setembro, anunciou a editora, que projeta lançar igualmente uma antologia de Natália Correia e a integral dos contos de António Tabucchi.

Sobre o livro do angolano Pepetela, a editora afirma que a narrativa decorre na Luanda contemporânea, e tem como protagonistas Heitor, Mariza e Lucrécio. "Heitor" é "um escritor em início de carreira, o tímido", Marisa é a "responsável por um programa de rádio de grande audiência, que a todos encanta e seduz", e o seu marido, Lucrécio, "uma mente brilhante aprisionada numa cadeira de rodas", lê-se no comunicado da editora, as Publicações D. Quixote. […]

"O tímido e as mulheres" sucede a "A Sul. O Sombreiro", romance de Pepetela editado em 2011.

Pepetela é o pseudónimo literário de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, nascido em Benguela, no sul de Angola, há 71 anos. […] [noticiasaominuto.com]

 

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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013
Autor da semana: Elmore Leonard

 

Elmore John Leonard Jr., mais conhecido como Elmore Leonard (Nova Orleans,11 de outubro de 1925 - 20 de agosto de 2013) foi um escritor e argumentista. [ler mais]

 

 

 

 

  

Elmore Leonard, o escritor de policiais que às vezes dava ao criminoso o papel principal

 

O escritor de policiais norte-americano Elmore Leonard morreu na manhã desta terça-feira,em Detroit. Anotícia foi dada através da página de Facebook do autor onde Greg Sulter, o homem que faz a pesquisa para as suas obras, escreveu : “Este é o post que eu temia ter de escrever e que vocês temiam ler. Elmore morreu às 7h15 desta manhã por causa de complicações depois do seu AVC. Estava na sua casa rodeado pela sua querida família.”

O escritor, de 87 anos, a quem chamavam o “Dickens de Detroit”, tinha sofrido um Acidente Vascular Celebral (AVC) no início de Agosto e estava a tentar recuperar.

Tal como o crítico José Riço Direitinho escreveu no Ípsilon quandoUnha com Carne, o seu 43º romance, saiu em Portugal na Teorema, o escritor era “na opinião de muitos, o maior autor vivo de romances policiais”. Admirado por escritores como Saul Bellow ou Martin Amis, começou por escrever westerns na década de 1950 e alguns dos seus títulos tornaram-se lendários depois de adaptados ao cinema, como Valdez is Coming, com Burt Lancaster,Joe Kidd, com Clint Eastwood, Hombre, com Paul Newman, e Mr. Majestyk com Charles Bronson.

Foi na década de 1970, quando as editoras que publicavamwesterns começaram a falir, que Leonard se iniciou nos policiais, alargando então as fronteiras do género que já tinha tido o seu apogeu com Dashiell Hammett e Raymond Chandler: "Os criminosos passaram a ser muitas vezes as personagens principais, o detective e o móbil do crime passaram para segundo plano; além disso, tornou os romances mais despojados de descrições e os diálogos adquiriram uma nova força. Eles são, de facto, o mais importante nos romances de Elmore Leonard. A história progride a partir das falas”, escreveu o crítico José Riço Direitinho. "Não há a voz de um narrador a levar a acção para a frente, são as personagens que dizem, e por vezes de um modo bastante inesperado, o que é que tem que acontecer a seguir. Todos os detalhes existem para fazer avançar a história."

Quanto aos diálogos, ou melhor, quanto à sua linguagem e importância, o escritor desmitificava, lembrou o crítico: "Numa entrevista radiofónica Leonard disse, depois de lhe ser perguntado se andava muito pela rua a ouvir como as pessoas falavam: 'Não preciso de andar pela rua. Andei muito em bares de jazz nos anos 40, encontrei todo o tipo de gente. O que me interessa não são tanto as palavras usadas, mas a cadência do discurso, o ritmo. Deixar uma palavra de fora de vezem quando. Fazercom que aquilo soe verdadeiro ao leitor. Adequar a gramática à rua. Se me soa a escrito, reescrevo.'"

Elmore Leonard continuava a trabalhar. Em mãos tinha o seu 46.º livro, disse a família numa nota à imprensa quando o autor dewesterns e policiais estava ainda no hospital. O seu último livro,Raylan, foi publicado no final do ano passado nos Estados Unidos. 

Vários dos seus livros estão publicados em Portugal,  Na Casa de Honey (Teorema), Cuba Libre (Quetzal), Hot Kid (Teorema),Crianças Pagãs (Teorema), Um Bom Argumento (Difusão Cultural) , livro que deu origem ao filme Jogos Quase Perigosos(1995), de Barry Sonnenfeld com John Travolta e Danny DeVito.Também o realizador Quentin Tarantino adaptou ao cinema Rum Punch, um dos romances do escritor. E o filme Romance perigoso, de Steven Soderbergh,em que George Clooneyinterpreta o assaltante de bancos Jack Foley também é baseado no romance Out of Sight de Elmore Leonard.

“Raros foram os escritores tantas vezes adaptados ao cinema – nada menos do que 19 filmes foram inspirados em obras suas. Por exemplo, um clássico do western O Comboio das 3.10, de Delmer Daves. Mas Elmore Leonard era sobretudo uma referência crucial no cinema de Tarentino”, diz ao PÚBLICO o crítico Augusto M. Seabra. “Em Pulp Fiction e ainda mais em Jackie Brown, que era adaptado de um dos seus romances, em particular no estilo dos diálogos tão característicos de Tarantino é que ele se mostra mais devedor de Leonard. Tarantino disse mesmo que o seu argumento de Amor à Queima-Roupa (realizado por Tony Scott ) ‘era como um romance de Elmore Leonard que ele nunca tinha escrito’. Leonard foi o escritor que deu cartas de nobreza a um género considerado menor”, acrescenta o crítico. 

Elmore Leonard nasceuem Nova Orleães, o seu pai era um quadro da General Motors e durante a sua infância e adolescência viveu em vários locais do sul dos EUA antes da família se instalar definitivamenteem Detroit. Antesde se licenciar em língua inglesa e em filosofia, esteve na Marinha, e mais tarde trabalhou na agência de publicidade Campbell Ewald. Foi durante essa época que em casa ia escrevendo westerns que vendia a revistas. O seu primeiro romance,The Bounty Hunters, foi publicado nos Estados Unidos em 1953. [publico.pt]

 

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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013
Autor da semana: Paul Theroux

 

Paul Edward Theroux é um escritor de literatura de viagens e romancista norteamericano, cuja obra mais célebre é The Great Railway Bazaar, de 1975, um travelogue que ele fez de comboio da Grã-Bretanha, passando pela Europa de Leste, Médio Oriente, Ásia do Sul e Sudeste Asiático, até ao Leste Asiático, tão a Oriente quanto o Japão, e depois voltou pela Rússia até ao seu ponto de origem.

Apesar de mais conhecido como escritor de viagens, Theroux também publicou numerosas obras de ficção, algumas das quais se transformaramem filmes. Foigalardoado em 1981 com o Prémio James Tait Memorial pelo seu romance The Mosquito Coast. É pai de dois autores e documentaristas, Louis Theroux e Marcel Theroux, e irmão dos autores Alexander Thoreux e Peter Theroux. [ler mais]

 

 

 

«A Arte da Viagem», de Paul Theroux

 

«Um viajante é um estranho», escreve a dada altura, neste livro, Paul Theroux. O escritor norte-americano é provavelmente o autor vivo mais reconhecido, junto do grande público, como emblema da literatura de viagens.

Ao escrever que um viajante é um estranho, Paul Theroux está estabelecer a mesma distinção que um outro escritor de renome, também americano, já há muito propôs: a distinção entre o viajante e o turista.

«A Arte da Viagem» é um livro sobre viajantes. E é também uma espécie de breve iniciação à literatura de viagens. Em traços rápidos, Paul Theroux dá-nos uma pequena enciclopédia de autores, citações e situações emblemáticas em curtos capítulos onde tanto se encontram relatados 'os prazeres dos caminhos-de-ferro' ou 'a viagem como provação' como nos deparamos com 'medos, neuroses e outras situações' ou os 'prazeres perversos do inóspito'.

Tudo servido com doses generosas de passagens de livros clássicos, episódios da vida de alguns grandes autores ou histórias pessoais do próprio Paul Theroux.

«A Arte da Viagem» é, assim, uma interessante introdução a um género que, diz o autor, é o mais antigo do mundo.

E Paul Theroux ainda nos oferece os dez mandamentos com aquilo a que chama «o essencial da viagem: 1. Sair de casa; 2. Ir sozinho; 3. Viajar leve; 4. Levar um mapa; 5. Ir por terra; 6. Atravessar a pé uma fronteira nacional; 7. Fazer um diário; 8. Ler um romance que não esteja relacionado com o local em que se está; 9. Se tiver de levar um telemóvel, evitar usá-lo; 10. Fazer um amigo». [ler mais]

  

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publicado por bibliotecadafeira às 14:56
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Sexta-feira, 9 de Agosto de 2013
Autor da semana: Urbano Tavares Rodrigues

 

Nascido em Lisboa em 1923, Urbano Augusto Tavares Rodrigues passou a infância no Alentejo, perto de Moura, o que em muito influenciou a sua vida e obra. Ficcionista, investigador e crítico literário, licenciou-se em Letras com uma tese intitulada Manuel Teixeira Gomes: Introdução à sua obra (1950), tendo regressado por várias vezes aos estudos sobre aquele autor, nomeadamente na sua dissertação de doutoramento, Manuel Teixeira Gomes: o discurso do desejo.
Impedido, por motivos políticos, de exercer a docência universitária em Portugal, foi leitor de Português em diversas universidades estrangeiras (Montpellier, Aix e Paris, entre 1949 e 1955). Depois da revolução de 25 de Abril de 1974 retomou a actividade docente em Portugal, jubilando-se em 1993 como Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras. [ler mais]

 

 

Morreu o escritor Urbano Tavares Rodrigues 

 

O escritor, jornalista e militante do PCP, Urbano Tavares Rodrigues morreu na manhã desta sexta-feira, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa.

O escritor estava internado há três dias. A notícia soube-se através da página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor" e foi publicada pela filha, a escritora, Isabel Fraga, onde diz: "O meu pai acaba de nos deixar.”
Estava internado nos capuchos há 3 dias. Não tenho mais informações. Soube agora mesmo." O PÚBLICO confirmou.

Urbano Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro de 1923, filho de uma família de grandes proprietários agrícolas de Moura, Alentejo. Andou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde cursou Filologia Românica. Por razões políticas foi impedido de ensinar em Portugal, esteve preso em Caxias e acabou por exilar-se em França, onde conviveu com grande intelectuais da década de 1950.

Foi professor na Faculdade de Letras, crítico literário e esteve sempre ligado activamente ao PCP. [publico.pt]

 

Títulos disponíveis, deste autor, na biblioteca municipal.



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Sexta-feira, 2 de Agosto de 2013
Autor da semana: Nuno Lobo Antunes

 

Nuno Lobo Antunes nasceu em Lisboa a 10 de Maio 1954. Em 1977, licenciou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina de Lisboa.
Foi Assistente Hospitalar de Pediatria e Coordenador da Unidade de Neuropediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Foi Membro da Comissão de Neurologia do "Children Oncology Group".
Foi consultor de Neurologia Pediátrica para o Departamento de Neurologia e Pediatria do Memorial Hospital for Cancer and Allied Diseases e para o Presbyterian Hospital em Nova Iorque. [ler mais]

 

 

Em Nome do Pai, primeiro livro de ficção de Nuno Lobo Antunes

 

[já disponível na biblioteca municipal]

 

[…] Em Nome do Pai é, com efeito, o contínuo de uma busca, perseguida nos livros anteriores e ao longo das mais de três décadas a exercer Medicina: a procura de um sentido para a vida. Um "mergulho na Humanidade", diz da sua profissão, que o tem obrigado a viver, todos os dias, e intensamente, com o sofrimento, a angústia, mas também com a esperança e a coragem. De tal modo que cada ano que passa parece corresponder a três, no que toca à "riqueza" da experiência, como recorda acerca dos sete anos que trabalhou nos Estados Unidos. Outro "ato de coragem".
Aos 40 anos, partiu para Nova Iorque, onde trabalhou em hospitais como o Memorial Hospital for Cancer and Allied Diseases e o Presbyterian Hospital, e lecionou Neurologia e Pediatria na Universidade de Cornell, deixando para trás o lugar de pediatra no Hospital de Santa Maria, cuja Unidade de Neuropediatria coordenava. "Larguei em Lisboa tudo o que um médico com a minha idade poderia desejar", recorda, sem arrependimentos.
"Nos Estados Unidos, o quotidiano era feito de surpresas, de sentimentos muito fortes, lidava diariamente com a vida e a morte. Foi fundamental, até para o autoconhecimento. Um privilégio", garante. Só voltou porque se apaixonou. E não resiste a contar uma história: "Ia muitas vezes a um cafézinho de um italiano muito engraçado, que passava a vida a ler o jornal e se estava nas tintas para os clientes. Um dia, fui lá e disse-lhe que me ia embora para Portugal. Ele perguntou porquê, e eu disse: por causa de uma mulher. Ao que ele respondeu: I see, she made you an offer you couldn't refuse... ('Estou a ver, ela fez-lhe uma proposta irrecusável') E foi isso".
A família é o seu maior orgulho. A mulher, Felipa Garnel, as filhas, Rosa e Ana, e Duarte, o filho mais velho, de outro casamento - para quem tenta ser "uma espécie de Deus do Novo Testamento", diz, entre risos. Nasceu numa família de forte ligação à Medicina (o pai, João Alfredo Lobo Antunes, era professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa), e tem cinco irmãos, todos figuras de renome, com quem confessa ter uma relação "díficil de entender".  "Temos uma grande proximidade porque sorvemos do mesmo chão e, nesse sentido, há uma compreensão funda de cada um de nós, mas, ao mesmo tempo, é uma relação extremamente cerimoniosa", conta, adiantando que, por isso, não costuma partilhar o que escreve nem com António (Lobo Antunes), o irmão mais conhecido como escritor, nem com João, que além de igualmente médico, neurocirurgião, cientista, é também ensaísta/escritor. Tão pouco os lê.
"Primeiro, leio muito pouca ficção. Depois, a escrita do António, às vezes, irrita-me porque sinto que me 'rouba' um património comum. É como se se apropriasse das nossas memórias que, uma vez postas no papel, passam a pertencer-lhe só a ele", revela. "Além disso, as suas personagens não são, em geral, pessoas com quem eu me desse. É um lado mais sombrio, em que as pessoas desistiram, não sonham. Eu já enfrento isso no meu dia-a-dia... Não quero estar 'lá' muito mais tempo".
Por isso, quando não está no PIN - Progresso Infantil - o Centro para as Perturbações do Desenvolvimento que fundou em Carcavelos, em 2012, depois de vários anos à frente do CADIn -, aproveita para ler, sim, mas sobretudo livros de Ciência. Para escrever. Montar. E para se "rodear de beleza", diz, trocando um sorriso cúmplice com a filha mais nova, sentada ao seu colo. Que é como quem diz: para estar com a família. [visão.sapo.pt]   

 

 

  

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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013
Autor da semana: Cláudio Magris

Cláudio Magris nasceu em Trieste, Itália a 10 de abril de 1939. É escritor e germanista. Foi senador de 1994 a 1996 durante a XII Legislatura da República Italiana.

 

Claudio Magris venceu o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

Primeira edição do prémio distinguiu este domingo o escritor italiano pelo seu contributo para a cultura europeia.

É um dos grandes intelectuais europeus da actualidade, um eterno candidato ao Nobel da Literatura. O escritor italiano Claudio Magris, de 74 anos, venceu o primeiro Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a divulgação do Património Cultural, instituído pela Europa Nostra, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Clube Português de Imprensa.

À hora em que o prémio foi este domingo anunciado, Claudio Magris, ensaísta especializado nos grandes dilemas da Europa, autor de obras tão conhecidas e aplaudidas pela crítica como Danúbio (Dom Quixote), passeava-se (e passeia) pelo alto mar. Mas não partiu para longe do mundo que tanto analisa sem antes ter deixado uma mensagem de agradecimento por mais uma distinção.

Numa carta endereçada ao júri, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins (presidente do Centro Nacional de Cultura), Claudio Magris expressou a “mais profunda gratidão por este grande, generoso e totalmente inesperado reconhecimento”, que, acrescenta. “chega de um país que sempre esteve presente na minha fantasia, nos meus interesses, no meu imaginário”.

“Não sou um lusitanista e infelizmente não falo português, mas a história, a civilização e a literatura desse pequeno grande país sempre desempenharam para mim um importante papel, sempre me estiveram presentes.” E continua, na nota enviada ao PÚBLICO: “Talvez porque se trata de uma enorme civilização de mar, elemento essencial da minha sensibilidade e do meu ser, de um pequeno país que se tornou num império do mundo – no mais lato sentido do termo e não só no político – e como poucos outros foi um teatro de encontro, e como sempre também de confronto, em suma, um palco de protagonismo no grande teatro do mundo”.

A ligação do escritor italiano a Portugal há muito tempo que é conhecida. Em 2011, Claudio Magris assinou até o prefácio da reedição da Caminho de A Viagem a Portugal, de José Saramago. Magris lembrou no prefácio que, quando se encontrou pela primeira vez com Saramago em Lisboa, foi este o livro que o Nobel da Literatura lhe ofereceu.

Nascido em Trieste em 1939, Claudio Magris tem uma extensa obra dedicada ao ensaio, ao romance e ao relato de viagens. O italiano é ainda professor de literatura alemã e tradutor, colaborando ainda com regularidade para o jornal italiano Corriere della Sera. Como diz ao PÚBLICO Guilherme d’Oliveira Martins, “além de um grande escritor, Claudio Magris é um homem da comunicação”.

O prémio agora entregue a Magris pretende anualmente distinguir um cidadão europeu que, ao longo da sua carreira, se tenha distinguido pela sua actividade de divulgação, defesa e promoção do património cultural europeu através de obras literárias, artigos, crónicas, fotos, séries documentais, filmes e programas de rádio e/ou de televisão publicados ou emitidos nos diversos meios de comunicação.

É por isso que, para Guilherme d’Oliveira Martins, “faz todo o sentido premiar Claudio Magris nesta primeira edição”. “É um escritor com uma noção de património que não se projecta apenas no passado como se estende ao presente. Tem uma escrita plural, tolerante e promotora de uma cultura europeia”, diz ao PÚBLICO o presidente do júri, composto por Antonio Foscari, Francisco Pinto Balsemão, Irina Subotic, João David Nunes, José María Ballester e Piet Jaspaert.

Duas menções honrosas

No comunicado, o júri destaca exactamente o conhecimento que Claudio Magris tem da Europa “enquanto espaço de diálogo e de intercâmbio cultural é muito perceptível, especialmente na sua obra sobre o Danúbio", cujo tema principal é uma incursão e um pretexto para explorar e dissertar sobre a cultura centro-europeia, "mas igualmente em toda a sua rica produção literária”.

“Através dos seus textos tem contribuído para a tolerância e a paz europeia. Magris é alguém que tem reflectido ao longo da vida sobre os temas de identidade como factores de entendimento, valores tão importantes nos dias de hoje”, acrescenta ainda ao Guilherme d’Oliveira Martins, que em Outubro entregará o prémio no valor de dez mil euros ao escritor italiano numa cerimónia que vai acontecer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Sendo a Europa um dos temas sobre os quais mais se debruça, Claudio Magris foi um dos intelectuais que no início do ano assinou o manifesto internacional chamado Europa ou o caos. Uma denúncia do vertiginoso crescimento do "cinismo", "chauvinismo" e populismo" e que começava por dizer que “a Europa não está em crise, está a morrer”.

“Não a Europa como território, naturalmente. A Europa como Ideia. A Europa como um sonho e um projecto”, diz o início do texto assinado ainda pelo escritor português António Lobo Antunes, Bernard-Henri Lévy (autor francês), Vassilis Alexakis (escritor grego), Juan Luis Cebrián (jornalista espanhol e fundador do El País), Umberto Eco (intelectual italiano), Salman Rushdie (romancista indiano), Fernando Savater (filósofo espanhol), Peter Schneider (romancista alemão), Hans Christoph Buch (jornalista e autor alemão), Julia Kristeva (filósofa búlgaro-francesa) e Gÿorgy Konrád (ensaísta húngaro).
Nesta edição do prémio, que pretende homenagear a jornalista Helena Vaz da Silva (1939-2002), foram ainda atribuídas duas menções honrosas, a Olivér Kovács e Ozgen Acar. “O primeiro pela mobilização dos cidadãos a favor do Património da Hungria, e o segundo pela luta internacional contra o tráfico ilegal de tesouros do Património com origem na Turquia”, lê-se no comunicado. [publico.pt]

 

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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
Autor da semana: Pedro Sena-Lino

Pedro Sena-Lino nasceu em 1977 em Lisboa. Licenciou-se em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa, onde concluiu o Mestrado em Literaturas Românicas sobre José Régio, com uma tese sobre "O pecado de si mesmo: José Régio e o paradigma da identidade original." [ler mais]

 

A ficção portuguesa reflecte sobre a crise que é real

Na última semana foram lançados dois romances que reflectem a crise económica portuguesa e que propõem desfechos: Despaís e Se não podes juntar-te a eles, vence-os. Conversámos com os autores, Pedro Sena-Lino e Filipe Homem Fonseca.

Filipe Homem Fonseca apresenta esta quinta-feira, na sede da sua editora Divina Comédia, Se não podes juntar-te a eles, vence-os: três personagens vivem de formas diferentes a actual crise portuguesa. Na sexta-feira passada foi a vez de Pedro Sena-Lino publicar o seu segundo romance, Despaís ( Porto Editora), em que questiona a validade do conceito de Estado-Nação. Dois olhares sobre a crise económica na forma de romance no espaço de uma semana.

O ambiente que a crise criou é de medo e incerteza e pôs-nos a “viver numa panela de pressão que às vezes estoira em cima dos que nos estão mais próximos e que não têm culpa de nada”, diz Filipe Homem Fonseca sobre a situação do país e sobre o seu primeiro romance. A escolha do cenário da crise foi propositada: “A partir do momento em que escolho o cenário actual, tenho que falar da crise”, diz autor de Se não podes juntar-te a eles, vence-os.

No livro tenta acabar-se com a crise instalando outra crise. Levados pelo sentimento de medo, insegurança e revolta dois desconhecidos unem-se para matar os culpados da situação actual. Planeiam um atentado que tem o objectivo de matar sem discriminação porque todos são culpados por não terem agido. A alteração do provérbio popular no título pode a princípio parecer uma afirmação de incorformismo. Ao longo da leitura, o título passará a ser uma questão, diz o autor, "se não podemos juntar-nos a eles, devemos vencê-los?". Devemos passar do extremo da passividade para o da violência?

A história é também sobre os portugueses. “Quando chegam à idade adulta, os portugueses tornam-se três tipos de gente: catastrofistas, dissidentes ou boas pessoas”, diz uma das personagens. Mas estes rótulos não são definitivos, segundo o autor. Todos temos características destes três tipos e há sempre uma que sobressai. As referências directas não são só ao povo mas também à actualidade. É frequente encontrar as personagens a falar dos feriados que já não existem, do primeiro-ministro que sugeriu que emigrássemos ou das facturas que se têm que pedir depois de beber um café. Filipe Homem Fonseca usou estas referências por considerar que mesmo que tentasse inventar outras, nunca seriam tão boas como a realidade.

“Tentei pegar na nossa realidade e construir um exemplo quase universal. Quando um banqueiro diz que vamos aguentar a austeridade, isso diz muito sobre o que estamos a viver”. A ideia do autor é que um leitor do futuro que não tenha vivido o 2013 português possa concluir que “apesar da desconfiança e do medo, as coisas podem sempre melhorar”. A reflexão sobre este momento é um dos objectivos, mas a verdadeira intenção é “conquistar o direito à atenção do leitor e permitir que ele crie uma relação emocional com o livro”.

E se fossemos todos ex-portugueses?
Despaís, de Pedro Sena-Lino, passa-se em Portugal no ano de 2023. A situação é semelhante à actual, mas há situações extremas como a tentativa de desmantelamento e venda do Mosteiro dos Jerónimos. Nesta distopia, o país enfrenta a possibilidade do seu fim. “A ideia foi construir um romance virtual em que se vivem as condições actuais com a alteração de uma variável: há um referendo que coloca a hipótese da dissolução total do Estado Português.”

A história constrói-se pelos relatos de diferentes narradores. Foi esta a forma que Sena-Lino encontrou de devolver a voz aos cidadãos anónimos, representados por Afonso, criança agora sem pátria, uma idosa com demência, um historiador, um homem do lixo, um gestor, um jornalista, um fotógrafo estrangeiro, entre outros. Para o autor, é também importante o papel da multidão que intervém com palavras de ordem ao jeito de coro grego.

Pedro Sena-lino escolheu apresentar o seu novo livro através de uma manifestação encenada no Rossio, em Lisboa, e uma mesa-redonda sobre a situação nacional. “Não gosto de apresentações tradicionais. O objectivo é desencadear a discussão a partir da obra literária”, diz, salientado que a obra de arte não pode ficar fechada em casa, mas tem que provocar discussão, ser provocadora, tanto na forma como no conteúdo.

Despaís quer um leitor inconformado e perturbado no fim da leitura, quer que o leitor se pergunte o que pode fazer para evitar o cenário extremo de crise financeira, social e de identidade nacional que o livro descreve. O cenário é apocalíptico. Os portugueses vivem no mar, em barcos chamados “Crísias” porque já não têm sítio onde viver: Portugal foi vendido. Para o gestor, um dos narradores do livro, “esta é a história de um país que foi um erro. de um país que nunca sequer deveria ter existido”.

“Depois de vermos cair o Estado-providência, questiono se o conceito instalado de Estado-Nação ainda faz sentido”, diz o autor. A personagem do historiador teoriza esta questão: “Os Estados-Nação, bem como a ideia de Estado desapareceram com o chamado caso português. Só as grandes federações, ou directórios interregionais, como os Estados Unidos ou as União Europeia, podem sobreviver.” Enquanto a nação portuguesa se desfaz, na Europa de 2023 de Pedro Sena-Lino, já a Catalunha se separou da Espanha e a Bélgica se dividiu na Flandres e na Valónia, ficando a cidade de Bruxelas sob administração directa da União Europeia. [publico.pt]

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 12 de Julho de 2013
Autor da semana: Dan Brown

  

 

Dan Brown (Exeter, 22 de junho de 1964) é um escritor norte-americano. Seu primeiro livro, Fortaleza digital, foi publicado em 1998 nos Estados Unidos. A este seguiram-se Ponto de impacto e Anjos e demônios, a primeira aventura protagonizada pelo simbologista de Harvard Robert Langdon. Seu maior sucesso foi o polêmico best-seller O Código da Vinci, mas seus outros três livros também tiveram uma grande tiragem. Entre seus grandes feitos, está o de conseguir colocar seus quatro primeiros livros simultaneamente na lista de mais vendidos do The New York Times. [ler mais]

 

Tradutores estrangeiros de Inferno de Dan Brown estiveram fechados para evitar fugas de informação



[disponível, brevemente, na sua biblioteca]

 

A nova história de Dan Brown, Inferno, já está no mercado desde Maio, mas só agora chegou a tradução portuguesa. Traduções como a italiana, a brasileira ou a francesa foram postas à venda em simultâneo com o original, mas houve um preço a pagar: os tradutores trabalharam encerrados numa cave durante dois meses.

Numa entrevista à BBC News, em Maio, Dan Brown chamou-lhe “uma operação militar”, e revelou que os tradutores estiveram em dois bunkers, um no Reino Unido, outro em Milão, protegidos por seguranças armados. Em Milão, 11 tradutores trabalharam sete dias por semana, até às oito da noite, num piso subterrâneo do edifício da Mondadori, editora italiana.

Todos os dias à entrada os tradutores entregavam os seus telemóveis e qualquer outro aparelho que lhes permitisse a comunicação com o exterior. Sempre que faziam uma pausa fora do bunker tinham de a registar e não podiam discutir o livro e a sua trama entre si. Podiam almoçar na cantina comum a todos os funcionários do edifício, mas se quisessem conversar com alguém tinham de dar justificações falsas para o facto de estarem ali. “Estamos numa época de pirataria e em que os editores querem vender livros”, disse Dan Brown em Maio, à BBC News para justificar o secretismo e segurança em torno do seu mais recente livro.

Eduardo Boavida, editor da Bertrand e de Dan Brown em Portugal, considera normais este tipo de cuidados quando os livros geram tanta curiosidade. "Uma fuga de informação afecta a expectativa dos mercados e com a informação global, estaria rapidamente por toda a parte", diz. "O editor tem sempre confiança nos tradutores e gráficas com quem trabalha, mas estas traduções tinham muita gente envolvida e ultrapassavam as confianças locais."

A tradução portuguesa não foi feita sob as condições especiais das traduções lançadasem Maio. Istoporque o livro, que está à venda desde quarta-feira, começou a ser traduzido depois do lançamento do original. "O critério de selecção dos países presentes na primeira tradução deve ter sido o dos mercados de maior expressão", diz Boavida, lembrando que havia uma grande limitação de espaço nesta operação, sendo impossível a participação de um maior número de tradutores.

A tradução portuguesa demorou 1 mês e envolveu três tradutores e um responsável pela uniformização do texto,  cuidado especial a ter quando autores como Dan Brown usam terminologia muito específica. Os tradutores foram obrigados a um trabalho acrescido de pesquisa sobre os temas tratados no livro. "Foi um trabalho mais difícil seguramente para os que estiveram fechados [nobunker] porque lhes retirou a possibilidade deste trabalho autónomo", diz Eduardo Boavida.

Carole Del Porte, tradutora francesa do livro, disse à revista italiana Sorrisi e Canzoni em Abril, depois de terminada esta operação, que aqueles dias lhe permitiram mergulhar completamente no trabalho de Dan Brown. “Foi uma experiência única e fantástica. Não tinha nada com que me preocupar e pude concentrar-me no meu objectivo: conseguir a melhor tradução possível para os leitores”, disse.

O objectivo era ter traduções prontas a serem comercializadas em simultâneo com a versão original de Inferno, sem que isso significasse fugas de informação. Foi conseguido. "Mantivemos o segredo até ao último momento", disse Dan Brown em Maio ao canal inglês.

Em Portugal, sem uma tradução para português de Infernodurante quase dois meses, foram vendidos cerca de 2 mil exemplares do original. Para o editor, a rapidez com que a informação circula cria a vontade no leitor ter acesso à obra imediatamente. Boavida admite que o número de exemplares vendidos em inglês não é de ignorar mas destaca a pressão dos leitores para haver acesso imediato ao livro -  a Bertrand tentou que Portugal participasse no lançamento mundial precisamente para corresponder ao desejo dos leitores de ler o livro ao mesmo tempo que o resto do mundo e não apenas por causa dos lucros financeiros, diz.

No novo livro, a personagem principal é mais uma vez Robert Langdon, professor de simbologia em Harvard, que percorre Florença guiando-se por passagens do Inferno, de Dante, e decifrando as fachadas dos edifícios florentinos e as obras de arte do Renascimento.

Em Portugal o livro conta com uma tiragem superior a 100 mil exemplares. Não falando em números, a Bertrand diz que as vendas feitas no site desde 14 de Maio revelam “números animadores”. Em Portugal, Dan Brown vendeu 2 milhões de livros.O Código Da Vinci é o livro mais vendido do autor, com 700 mil cópias. [publico.pt]

 

 

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Sexta-feira, 5 de Julho de 2013
Autor da semana: John Le Carré

 

John le Carré, (Poole, 19 de outubro de 1931), pseudónimo de David John Moore Cornwell, é um escritor britânico. Vive actualmente na Cornualha.

Estudou na universidade de Berna na Suíça, e na Universidade de Oxford em Inglaterra, tornando-se depois professor em Eton College antes de se juntar ao corpo diplomático britânico entre 1960 e 1964.

A sua experiência nos serviços secretos terminou repentinamente, quando o agente duplo britânico Kim Philby denunciou a identidade de dezenas de espiões compatriotas ao KGB. No entanto o seu primeiro livro ainda seria publicado enquanto estava no (MI6).

John le Carré é autor de numerosos livros de espionagem, muitos dos quais apresentam um enredo que se desenvolve no contexto da Guerra Fria. [...] [ler mais]

 

"Uma Verdade Incómoda", de John Le Carré


[disponível, brevemente, na sua biblioteca]

 

O novo livro de John Le Carré,"Uma Verdade Incómoda", dificilmente deixa espaço para a esperança. A desolação é provavelmente o sentimento que prevalece no fim, perante a enorme incompetência e a inevitável e consequente maldade de quem nos governa guiado por interesses obscuros.

Para John Le Carré, que como confessa, sabe bem o que o leitor há-de sentir no momento em que fecha o livro, a explicação deve-se a uma aguda falta de esperança. "Continuo à procura dela (da esperança) para perceber onde é que os meus filhos e netos irão viver. A grande desvantagem de ser velho é perceber que pouco ou nada muda".

Crítico de Tony Blair, por ter levado "um país para guerra a partir de falsos pressupostos", Le Carré também não pouco críticas a Thatcher, e ao legado que ela deixou: "Quando comecei a escrever, na Guerra Fria, tínhamos de saber que não estávamos do lado errado, e sabíamos isso. Continuo a saber de que lado estou, mas cresci até um estado de ceticismo perante os políticos". Sentimento, que John Le Carré partilha com o homem comum: "Não temos fé nas autoridades, nos políticos, no serviço nacional de saúde ou na polícia".

"Uma verdade Incómoda", pretexto para esta conversa com o Expresso, é de resto um dos seus romances mais autobiográficos, metáfora de uma corrida à guerra do Iraque e das mentiras que a antecedem.

Para o romance criou duas versões de si próprio, dois homens que apesar de terem cerca de 30 anos de distância têm em comum algo primordial no universo do escritor, uma ética rigorosa: "Serviram o seu país com lealdade até não aguentarem mais e serem levados a fazer um protesto pessoal, usando canais ortodoxos."

Se o protesto parece não parece funcionar, a verdade é que o escritor defende acima de tudo o dever de protestar enquanto compromisso maior connosco e com a sociedade, nem que seja porque "Cristo também morreu na cruz!” [expresso.pt]

 

 

 

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Sexta-feira, 28 de Junho de 2013
Autor da semana: Goce Smilevski

Goce Smilevski nasceu em 1957 em Skopje, na actual Macedónia. Estudou na Universidade Carolina de Praga, na Central European University de Budapeste e na Universidade de Skopje, onde trabalha no Instituto de Literatura. É membro do PEN Clube Macedónio e autor de vários romances e peças de teatro. Pelo romance Conversa com Espinosa foi-lhe atribuído o Prémio Iniciativa da Europa Central em 2006. A Irmã de Freud, com direitos vendidos para mais de 30 países, valeu-lhe a distinção do Prémio União Europeia de Literatura, em 2010. [wook.pt]

 

Sinopse:

Em 1938, numa Áustria ocupada pelo regime nazi, Sigmund Freud recebe um visto para fugir para Londres e, assim, escapar à ameaça de terror. Da lista de 16 pessoas que pretende levar consigo fazem parte a cunhada, o médico, as criadas e até o seu pequeno cão, mas nenhuma das suas quatro irmãs. É pela voz de uma delas, Adolfine, que conhecemos esta história assombrosa sobre a família Freud. Deportada para o campo de concentração de Terezín, «a melhor e mais doce irmã» do psicanalista conhece Ottla, a irmã amnésica de Franz Kafka, a quem confidencia as suas memórias. Emerge o retrato de uma menina sensível e doente que vive a infância em simbiose com o irmão Sigmund, o mentor que a guiava na descoberta da vida. O retrato de uma jovem inconformada com o papel que a sociedade lhe impõe, amargurada pelo desprezo da mãe e pela partida do irmão. Por fim, o retrato de uma mulher só, que se sente apenas meia mulher por nunca ter sido mãe. O cenário da história da família é a Viena da viragem do século.

 

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