É como percorrer os labirintos da mente de um adolescente tardio de 26 anos, idade do americano Mike Hadreas, o nome que se esconde por trás da designação Perfume Genius. A maior parte das vezes expõe-se fragilmente, apenas suportado pelo som do piano. Quem já se deixou enredar definitivamente na "música adulta" é capaz de resistir-lhe. Dificilmente terá disponibilidade para entrar neste universo, até porque isso representará confrontar-se com aquilo que já não pode ser.
É verdade que há por aqui alguns momentos em que parece demasiado encantado com as possibilidades expressivas da música que desenvolve há alguns anos. Mas são apenas momentos. O que fica é um disco caloroso, privado, onde por vezes nos sentimos intrusos. É simples, não tem pretensões poéticas, mas é poético à sua maneira. A estrutura de canções como "Learning", "Mr Petersen" ou "Write to your brother" comporta ligeiras sequências melódicas que lentamente se perdem no espaço, enquanto outras, como "Gay angels" ou "No problem", possuem ambientes impressionistas que nos transportam de imediato para os filmes de David Lynch, em especial para a música composta por Angelo Badalamenti em "Twin Peaks". Às vezes somos levados a pensar em Antony, Final Fantasy, Nico Muhly ou Sufjan Stevens, gente conotada com canções melodramáticas, mas que afinal apenas procura a transcendência através da pop. Mas, mesmo assim, "Learning" é outra coisa. Na sua nudez, é uma obra sobre o que significa crescer no meio de grande instabilidade emocional. Por vezes, nesse processo, Perfume Genius expõe alguma ingenuidade. Mas não é afectação. É o tipo de disco capaz de criar pontes emocionais com quem o ouve. Dir-se-ia que, na sua feitura, Mike Hadreas, apenas procurou encontrar interlocutores deste lado. Tudo indica que o irá conseguir. [ipsilon.publico.pt]