Rita Braga tem um repertório eclético de canções que vão desde Mozart no ukulele a folk sérvio, polaco e russo, canções de cowboys, jazz e “novelty songs” dos anos 20, ou Bollywood.
Desde 2004 tem realizado numerosos concertos por Portugal, Estados Unidos, Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Polónia, Sérvia e Itália. Mais frequentemente atuando a solo na voz e ukulele (instrumento muito portátil criado por portugueses no Havai em finais do séc. XIX), por vezes junta guitarra, teclados, dobro, e bases pré gravadas e muitas vezes colabora com músicos locais das cidades onde atua, entre os quais constam nomes como Norberto Lobo, Bernardo Devlin, Nik Phelps (colaborador de Tom Waits, Frank Zappa e compositor de bandas sonoras de animação), Dorit Chrysler, Tiago Albuquerque (Soaked Lamb), Yvette Dudoit (Fort King), Amanda Jo Williams e Uni and Her Ukelele. Com Chris Carlone, músico, ator e realizador de Nova Iorque, mantém a dupla Chips and Salsa desde 2008. [superbraguita.com]
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Canções de marinheiros e o trágico romantismo da viagem. Uma mulher que chora o amante lá longe, combatente em guerra infernal. E uma canção tradicional açoriana com guitarra slide, maravilhas sonhadoras com a classe e a inocência de standard pop dos americanos anos 1930. “Cherries That Went To The Police” começa com o som de gargalhadas e as notas de um cliché musical chinês: “o espectáculo está prestes a começar”. E, a partir do momento em que começa, não há para nós retrocesso possível. Porque Rita Braga tem graça e graciosidade, tem uma voz magnífica que sabe exactamente o que fazer com cada frase e com o ambiente de cada canção. Porque este repertório que reuniu viaja por tradicionais russos (“Katysuha”) e gregos (“Mes'' tou manthou ton teke”), por Hank Williams (“Ramblin'' man”) ou por canções que seriam ideais para western como “River of no return” (ah, e esta foi mesmo, cantada por Marilyn Monroe no filme de Otto Preminger com o mesmo título).
O que torna “Cherries The Went To The Police” um objecto fascinante, porém, não é apenas a capacidade de Rita Braga, armada de ukulele e acompanhada pelo “swingante” Nik Phelps no clarinete ou pelo pó desértico da Chris Carlone Orchestra, criar um universo coerente, evocativo de imagens no limite do cinematográfico, destes sons de origem diversa. Este é um álbum de amor por toda esta música, tocado com evidente prazer, mas que recusa enclausurá-lo nas suas formas originais.
“Cherries That Went To The Police” não é um álbum tradicional, é a corporização do rico imaginário de Rita Braga, repleto de deliciosos e inventivos pauzinhos na engrenagem: a rebetika grega em órgão com sabor a fantasmagoria circense ou o baixo eléctrico de Rui Dâmaso em “Katyusha” são disso dois óptimos exemplos. São eles (os “paus na engrenagem”, a voz de Rita Braga, a capacidade de nos arrastar na sua fantasia) que tornam “Cherries That Went To The Police” um álbum absurdamente cativante. [ípsilon.pt]
NOTA: Brevemente, estará disponível, na biblioteca municipal, o CD de Rita Braga “Cherries The Went To The Police”