"acho que Emerson escreveu algures que uma biblioteca é uma espécie de caverna mágica cheia de mortos. e esses mortos podem renascer, podem voltar à vida quando abrimos as suas páginas." [BORGES, Jorge Luis in Este ofício de poeta]
Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Autor da semana: Manuel Jorge Marmelo

Nasceu no Porto em 1971, onde reside. Jornalista desde 1989 recebeu em 1994 o prémio de jornalismo da Lufthansa e em 1996 a menção honrosa dos Prémios Gazeta de Jornalismo do Clube de Jornalismo/ Press Club. […] [instituto-camoes.pt]

 

[ler mais]

 

(já disponível na biblioteca municipal)

 

Há um homem solitário que decide que quer ser famoso. Um “livro grossíssimo” de 1200 páginas, passeado debaixo do braço nos transportes públicos, à espera de ser notado. Há um autor húngaro fugido da segunda Guerra Mundial, um belizenho que conta histórias ainda mais recuadas no tempo. E há o Porto, a glória ou a falta dela, o amor. Há de tudo, mas não há nada. É tudo inventado.

"Uma Mentira Mil Vezes Repetida", o último romance de Manuel Jorge Marmelo, é como as matrioscas, “em que se vai abrindo e vão saindo cada vez mais bonecas lá de dentro”, compara o autor. O narrador, homem solitário, inventa um livro. Inventa Oscar Shindinski, o autor da obra-prima "Cidade Conquistada", que acredita estar amaldiçoado por Marcos Sacatepequez, que escreve o episódio com que o livro abre. As histórias são desfiadas dentro de um autocarro, onde o narrador se senta e espera a glória.

 Espera que o notem. Ou que ao menos notem o livro que carrega: um calhamaço, sem nada lá dentro – folhas impressas de apontamentos da internet, despropositadamente alinhadas -, inventado à medida que o abordam. E preenchido com questões da actualidade. Com reflexões.

 

Sobre a intolerância

Este é um livro sobre a intolerância – “Contra os judeus, primeiro, mas depois a intolerância como traço comum de todos os grandes problemas da actualidade. A que está na origem das guerras religiosas, a intolerância económica, a racial”. Manuel Jorge Marmelo quis fazer um livro sobre isto. Mas fez mais: deixou uma reflexão sobre a celebridade, a necessidade dela (ainda que, mais do que a celebridade, o que o narrador procura, acredita Marmelo, seja companhia), e sobre a literatura (pode ou não o livro ser mais do que a vida?).

É um mundo de mentira, mas não de mentirosos: no fundo, é sobre a solidão, sobre o anonimato indesejado, sobre um homem em busca de alguém que o ouça e o faça sentir gente. Quantos assim passeiam nos transportes públicos diariamente? Mais do que uma inspiração, o autocarro “é uma espécie de máquina literária, produtora de todas as histórias que estão dentro do livro”, conta Jorge Marmelo. “Um pouco como a Madeleine do Proust, aqui é o autocarro o suscitador das histórias.”

Algumas das histórias foram transportadas para "Uma Mentira Mil Vezes Repetida" do blogue que o autor portuense escreve - “São apontamentos da realidade, que deram o colorido do autocarro”, explica Manuel Jorge Marmelo. Foram (e são: a rúbrica “Crónicas do Autocarro” continua a ser actualizada) escritas durante as viagens do próprio autor, também utente dos transportes públicos. Um livro auto-biográfico? “Tem muitas das minhas reflexões sobre o mundo e sobre a literatura. Mas sou um bocadinho menos parvo do que o narrador do livro”. [p3.publico.pt]

 

 

Três perguntas a… Manuel Jorge Marmelo

 

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «A Mentira Mil Vezes Repetida»?

R- É, espero, o fecho de um ciclo que dediquei àquilo a que chamam metaliteratura, à literatura que tem como centro a própria ideia de literatura. Nesse sentido, é o fim da tetralogia iniciada com Os Fantasmas de Pessoa e que continuou com Aonde o Vento Me Levar e As Sereias do Mindelo. Mas também acho que já disse isto antes e, depois, acabei por voltar a enredar-me.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?

R- O livro parte da ideia de que o espaço fechado de um autocarro, ou de outro transporte público qualquer, pode funcionar como uma espécie de máquina literária, um sítio onde as histórias se contam e ouvem, levando os participantes a viajar para muito mais longe do que aquilo que o autocarro ou o metro permitem. Essa é a função do falso livro que o personagem principal carrega no autocarro: incluir todas as histórias que se queira inventar.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?

R-Neste momento estou a escrever a resposta à pergunta anterior. Num sentido mais lato, estou na redacção de um jornal onde se espera que escreva notícias. Às vezes, à noite, ao fim do dia, ainda encontro ânimo para escrever outras coisas, e faço-o, que hão-de ganhar corpo e sair para a rua quando for o tempo certo.[correiodoporto.com]

 

Títulos disponíveis na biblioteca municipal.



publicado por bibliotecadafeira às 15:14
link do post | comentar | favorito

a biblioteca na Internet
homepage
catálogo
catálogo rcbe
facebook
contactos
mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28


posts recentes

Caros (as) leitores (as),

Autor da semana: Miguel M...

Estreias - cinema

Na mesa dos poetas

Sugestão de leituras

Músico da semana: Eric Cl...

Autor da semana: Flávio C...

Estreias - cinema

Na mesa dos poetas

Sugestão de leituras

Autor da semana: Afonso C...

Estreias - cinema

Juan Gelman: 1930 - 2014

Sugestão de leituras

Músico da semana: Bruce S...

Autor da semana: Gastão C...

Estreias - cinema

Na mesa dos poetas

Sugestão de leituras

Músico da semana: Juana M...

Autor da semana: Mário Za...

Estreias - cinema

Músico da semana: Anna Ca...

Autor da semana: José Ben...

Aviso

Músico da semana: Gisela ...

Autor da semana: Maria Ve...

Estreias - cinema

Na mesa dos poetas

Sugestão de leituras

tags

todas as tags

arquivos

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

links
subscrever feeds